Não sei mais pra onde foi
aquela luz do sol que bate no rosto
enquanto subimos a rua
para ir à escola
que ilumina passo por passo
desde o pé do bebê ao pé 42 do trabalhador
cansado por mais um dia
do terror de ser mais um
num mundo indiferente
e sem métrica como esse poema
que nem graça tem
como o feno que o vento leva
e vai junto com a inocência dos bons ventos
E a gente se refugia com duas de dez
e já não serve pra mais nada
Pela janela, casas viram prédios
a luz se perde em meio a uma sala
sem sorrisos
que quando vem, são falsos de ponta a ponta
que aponta como flecha
em meio ao coração doente
Que desprende da alma
e morre
como a flor no deserto
e mata
como a prateada que vem das casas amontoadas
E jaz o futuro
cremado há mais de mil
e a mil a gente encontra a parede
- desagradável surpresa
a cara quebrada
E no mais
tentando sair depressa da parada
descobri
escrever já não serve mais pra nada
Dear Lion Heart
Sunday, November 09, 2014
Friday, September 26, 2014
The Symbol Out of the Room
Admito nem fazer ideia do que vai ser escrito, mas vou de método antigo para tentar satisfazer a inquietação da minha alma.
Aqui estamos outra vez, na velha página branca do recanto praticamente repleto de amarguras que é isso aqui, e me entristeço por não ser por um bom motivo. Caí dentro de mim mais uma vez e estou cercado de uma força obscura que me leva ao delírio profundo de não conhecer a mim mesmo, mais. Estou em uma constante perda de sanidade.
Olho em volta e não sei bem onde estou. O coração bate acelerado enquanto sou tomado por vertigem e raciocínio perdido. Me perco nas fortes luzes que agridem meus olhos, que sangram à primeira tentativa de desvincular-me do poço escuro em que me alma se meteu. E longe, perdida, tento apoiar-me no entulho que se amontoou em minha razão. Desconheço meu maior conhecido.
E falho em toda tentativa de socorrer-me da luta abrupta a qual fui posto a disputar. E perco feio. Caminho nas pedras que minha alma pesada deixou de ponta a ponta, com a dor nos pés do nomadismo ao qual me submeti. E arrependo-me de ter visto minha essência ir embora - corri e não a alcancei. Ficou o corpo.
Na falta de conexão com as profundas partes da minha mente, ouço uma voz que insiste em me tirar do caminho: você perdeu, você falhou, você atrai o fracasso - e, ao que resisto, mais desencontro de minha essência.
E minhas mãos trêmulas refletem o que insiste em rasgar o meu peito: tua angústia é teu abraço, e não se fará livre do braço que lhe puxa para longe de ti.
e em amargura serás acolhido
por muitas vezes até que te encontres
expulsando a luz de tua essência
dando aos monstros que te habitam
Caminhas para a insanidade.
Aqui estamos outra vez, na velha página branca do recanto praticamente repleto de amarguras que é isso aqui, e me entristeço por não ser por um bom motivo. Caí dentro de mim mais uma vez e estou cercado de uma força obscura que me leva ao delírio profundo de não conhecer a mim mesmo, mais. Estou em uma constante perda de sanidade.
Olho em volta e não sei bem onde estou. O coração bate acelerado enquanto sou tomado por vertigem e raciocínio perdido. Me perco nas fortes luzes que agridem meus olhos, que sangram à primeira tentativa de desvincular-me do poço escuro em que me alma se meteu. E longe, perdida, tento apoiar-me no entulho que se amontoou em minha razão. Desconheço meu maior conhecido.
E falho em toda tentativa de socorrer-me da luta abrupta a qual fui posto a disputar. E perco feio. Caminho nas pedras que minha alma pesada deixou de ponta a ponta, com a dor nos pés do nomadismo ao qual me submeti. E arrependo-me de ter visto minha essência ir embora - corri e não a alcancei. Ficou o corpo.
Na falta de conexão com as profundas partes da minha mente, ouço uma voz que insiste em me tirar do caminho: você perdeu, você falhou, você atrai o fracasso - e, ao que resisto, mais desencontro de minha essência.
E minhas mãos trêmulas refletem o que insiste em rasgar o meu peito: tua angústia é teu abraço, e não se fará livre do braço que lhe puxa para longe de ti.
e em amargura serás acolhido
por muitas vezes até que te encontres
expulsando a luz de tua essência
dando aos monstros que te habitam
Caminhas para a insanidade.
Saturday, March 29, 2014
Chronically Silent
Já faz tempo que me engulo, mas não posso suportar tamanha chuva de ódio que cai sobre mim.
Sensação de impotência, de agonizar no chão, com a cabeça no meio-fio. Passam carros, passam pessoas, ninguém me vê, nem ao mesmo quem eu espero que venha me socorrer. Estou sozinho com as minhas palavras, e não há nada que eu possa fazer, pois não tenho voz, nem mesmo tive um dia. E me pergunto: será que terei?
Difícil dizer, ao passo que esquenta o chão e queima minha pele. Não consigo levantar, pois não sinto minhas pernas. Não grito por socorro, não me movo por não poder. Agonizo com medo de não ser visto, com medo de não ser ninguém. E me dói, pois nunca faltei com socorro. Não falto com nada, e se falto, corro mais do que minhas pernas para corrigir. E o som do silêncio sufoca, sinto mãos no meu pescoço e monstros na minha garganta. Queima meu peito e dilacera meus olhos. Nem mesmo tenho capacidade de chorar. Minha única capacidade é a de tentar olhar para longe de mim.
Como deveria me sentir, se rastejo em torno de um mundo arruinado? O ódio é puro, não há mais ajuda, não há mais calmaria, e me escondo atrás de um muro intransponível que esconde toda região de fundo numa escuridão não-iluminável. Sonho com os olhos claros da calmaria, mas sou derrubado por um mar em fúria, que me arrasta da mesma forma que uma cidade inteira é levada.
Enquanto fico no chão, sem poder me libertar do horror que são tais palavras em mim, me entorpeço apagando de mim quem eu poderia ser, se não houvesse tanta falta de cuidado, tanta falta de emoção num mundo tão escuro. Devastaram em mim cada pedaço do que construí, e com os destroços, faço a proteção para tal nuvem de poeira, cada vez maior, cada vez mais assustadora.
E não me faltam palavras. Mas me falta a ponte segura para tirá-las de mim.
Sensação de impotência, de agonizar no chão, com a cabeça no meio-fio. Passam carros, passam pessoas, ninguém me vê, nem ao mesmo quem eu espero que venha me socorrer. Estou sozinho com as minhas palavras, e não há nada que eu possa fazer, pois não tenho voz, nem mesmo tive um dia. E me pergunto: será que terei?
Difícil dizer, ao passo que esquenta o chão e queima minha pele. Não consigo levantar, pois não sinto minhas pernas. Não grito por socorro, não me movo por não poder. Agonizo com medo de não ser visto, com medo de não ser ninguém. E me dói, pois nunca faltei com socorro. Não falto com nada, e se falto, corro mais do que minhas pernas para corrigir. E o som do silêncio sufoca, sinto mãos no meu pescoço e monstros na minha garganta. Queima meu peito e dilacera meus olhos. Nem mesmo tenho capacidade de chorar. Minha única capacidade é a de tentar olhar para longe de mim.
Como deveria me sentir, se rastejo em torno de um mundo arruinado? O ódio é puro, não há mais ajuda, não há mais calmaria, e me escondo atrás de um muro intransponível que esconde toda região de fundo numa escuridão não-iluminável. Sonho com os olhos claros da calmaria, mas sou derrubado por um mar em fúria, que me arrasta da mesma forma que uma cidade inteira é levada.
Enquanto fico no chão, sem poder me libertar do horror que são tais palavras em mim, me entorpeço apagando de mim quem eu poderia ser, se não houvesse tanta falta de cuidado, tanta falta de emoção num mundo tão escuro. Devastaram em mim cada pedaço do que construí, e com os destroços, faço a proteção para tal nuvem de poeira, cada vez maior, cada vez mais assustadora.
E não me faltam palavras. Mas me falta a ponte segura para tirá-las de mim.
Thursday, March 20, 2014
0320
Eventually, I've felt totally isolated from everything and everyone. The black dog had finally succeeded in hijacking my life. When you lose all your joy in life, you begin to question what the point of it is.
Monday, December 09, 2013
Somewhere Out of the Lane
Eu vi o céu escurecer ao fim de mais uma tarde
E vi minha alma enfurecer ao cão que late
E é cão mau, que não merece carinho
Que me faz sozinho
Que me joga em cela suja
Para que solitário eu fuja
E não consiga
E o fardo que carrego
E a dor que não nego
Quem vê, não vai além do que há para ver
Passa longe do meu ser
E não entende do que posso falar
Hei, então, de me calar
Para que aceite o mundo sozinho
E o calor mau que há dentro de mim
Queima por dentro, me mata, sim
Traz meus demônios para perto de minha consciência
E não hão de ter a mínima decência
De me deixar em paz
Ainda que já doa assaz
Não me deixam, nunca, não me deixam
E saí do que sou e quero ser
E descarreguei-me no melhor soco que a porta poderia receber
"A boca fala do que está cheio o coração"
Iminente é o perigo dos monstros que ali estão
No porão de mim mesmo, ao maior controle que consigo colocar
Mas, que forças tenho? Estão sempre prestes a falar
Através de minha boca, através de minha alma
E olho para as estrelas, no céu que vi escurecer
Entardecer, entardecer, entardecer
E meus demônios olharam pra mim
Queriam que colocassem, a mim, um fim
E não me contive, e fui mais do que meu choro
Muito mais do que o ódio do estouro
Alguém a quem mal a si mesmo se mostrou
Sentei no chão e procurei entender
"Me perdi, ou ainda consigo ser?
Ainda me tenho, ou já não sei aonde estou
como um perdido que entre suas ruas chorou?"
Ao som dos pássaros que circundavam a noite escura
Enquanto ouvia o silêncio de sua alma pura
Que, de fato, não reconhecia mais
Adormeci, e em meus sonhos vi um belo campo, gramado
Como sempre quis ter ao meu lado
Ou ao lado de minha casa, no ponto setentrional
Junto com quem escolhi para me acompanhar até o final
Então acordei, e vi o céu escurecer ao fim de mais uma tarde
E dessa vez não fiz alarde
Só escolhi olhar em volta procurando por mim
E vi minha alma enfurecer ao cão que late
E é cão mau, que não merece carinho
Que me faz sozinho
Que me joga em cela suja
Para que solitário eu fuja
E não consiga
E o fardo que carrego
E a dor que não nego
Quem vê, não vai além do que há para ver
Passa longe do meu ser
E não entende do que posso falar
Hei, então, de me calar
Para que aceite o mundo sozinho
E o calor mau que há dentro de mim
Queima por dentro, me mata, sim
Traz meus demônios para perto de minha consciência
E não hão de ter a mínima decência
De me deixar em paz
Ainda que já doa assaz
Não me deixam, nunca, não me deixam
E saí do que sou e quero ser
E descarreguei-me no melhor soco que a porta poderia receber
"A boca fala do que está cheio o coração"
Iminente é o perigo dos monstros que ali estão
No porão de mim mesmo, ao maior controle que consigo colocar
Mas, que forças tenho? Estão sempre prestes a falar
Através de minha boca, através de minha alma
E olho para as estrelas, no céu que vi escurecer
Entardecer, entardecer, entardecer
E meus demônios olharam pra mim
Queriam que colocassem, a mim, um fim
E não me contive, e fui mais do que meu choro
Muito mais do que o ódio do estouro
Alguém a quem mal a si mesmo se mostrou
Sentei no chão e procurei entender
"Me perdi, ou ainda consigo ser?
Ainda me tenho, ou já não sei aonde estou
como um perdido que entre suas ruas chorou?"
Ao som dos pássaros que circundavam a noite escura
Enquanto ouvia o silêncio de sua alma pura
Que, de fato, não reconhecia mais
Adormeci, e em meus sonhos vi um belo campo, gramado
Como sempre quis ter ao meu lado
Ou ao lado de minha casa, no ponto setentrional
Junto com quem escolhi para me acompanhar até o final
Então acordei, e vi o céu escurecer ao fim de mais uma tarde
E dessa vez não fiz alarde
Só escolhi olhar em volta procurando por mim
Sunday, September 29, 2013
A Manhã Seguinte
E as flores murcharam.
A luz se apagou
E, sem entender o que se passava
Também não entendeu por que acordara
E se murcharam as flores
Teriam murchado seus amores?
"Ah", queixou-se
Não quisera mais desamores
E tentou dançar
Encaixar a poesia na métrica certa
E não conseguira nada
Ah, seria a vida tão desalmada?
E queixou-se aos ventos
"Se não sei o que faço,
por que faço? E devo fazer?"
"Não sei", soprou o vento, não sei
Procurei o abraço de uma boa garrafa de conhaque
Nem ela me abraçou
O vento frio, ah, se dispôs não obstante
Como um velho amigo, uma calorosa amante
A solidão destoou
Naquela noite em que cada flor murchou
Disse, então: "perdi meu amor,
perdi toda a cor. Me sobrou dissabor".
Mas mentira para si mesmo.
Está tudo ali, sobrevivente
"Por que é dada a dor
a aquele que mais a sente?"
E murmurou: "se intenso sou,
por que ninguém me amou?
Se gosto de me doar,
sem nem ver se sinto dor?"
"E não digo que ninguém me deu amor.
Digo, em prantos, que, como sou,
ninguém aceitou. Então, pergunto-me,
sou tão ruim? Sou mesmo tal horror?"
Perguntei ao copo de uísque, que não mais fez
do que me embebedar ainda mais
numa noite de domingo
sozinho, calado, sozinho.
A noite terminara
E, ainda sem resposta
Tentei me entender, te entender, aos outros entender
A tudo compreender
E não isentei-me de culpa
O vento soprou-me: "ela também é sua"
Assim como a lua
assim como a rua
E ainda quis lutar
Porque só sabe amar
E não quer saber do desamor
E não quer saber do dissabor
E caiu no chão, entorpecido
por sua mente, por sua dor
por si mesmo
por cada erro cometido
E as flores murcharam.
A luz se apagou
E, sem entender o que se passava
Também não entendeu por que acordara.
A luz se apagou
E, sem entender o que se passava
Também não entendeu por que acordara
E se murcharam as flores
Teriam murchado seus amores?
"Ah", queixou-se
Não quisera mais desamores
E tentou dançar
Encaixar a poesia na métrica certa
E não conseguira nada
Ah, seria a vida tão desalmada?
E queixou-se aos ventos
"Se não sei o que faço,
por que faço? E devo fazer?"
"Não sei", soprou o vento, não sei
Procurei o abraço de uma boa garrafa de conhaque
Nem ela me abraçou
O vento frio, ah, se dispôs não obstante
Como um velho amigo, uma calorosa amante
A solidão destoou
Naquela noite em que cada flor murchou
Disse, então: "perdi meu amor,
perdi toda a cor. Me sobrou dissabor".
Mas mentira para si mesmo.
Está tudo ali, sobrevivente
"Por que é dada a dor
a aquele que mais a sente?"
E murmurou: "se intenso sou,
por que ninguém me amou?
Se gosto de me doar,
sem nem ver se sinto dor?"
"E não digo que ninguém me deu amor.
Digo, em prantos, que, como sou,
ninguém aceitou. Então, pergunto-me,
sou tão ruim? Sou mesmo tal horror?"
Perguntei ao copo de uísque, que não mais fez
do que me embebedar ainda mais
numa noite de domingo
sozinho, calado, sozinho.
A noite terminara
E, ainda sem resposta
Tentei me entender, te entender, aos outros entender
A tudo compreender
E não isentei-me de culpa
O vento soprou-me: "ela também é sua"
Assim como a lua
assim como a rua
E ainda quis lutar
Porque só sabe amar
E não quer saber do desamor
E não quer saber do dissabor
E caiu no chão, entorpecido
por sua mente, por sua dor
por si mesmo
por cada erro cometido
E as flores murcharam.
A luz se apagou
E, sem entender o que se passava
Também não entendeu por que acordara.
Wednesday, August 28, 2013
The Unforgettable Damned Letter
E saiu você de dentro da caverna, segurando um bilhete.
Não quis ver por medo, mas pegou de sua mão. Como se ali estivesse seus piores monstros, concentrou seus olhos de forma amedrontada, com sua cabeça tomada de angústia.
Olhou de volta para quem segurara o bilhete que havia causado tanto horror, e se surpreendeu com o rosto demonstrando significado algum. O significado algum, para qualquer entendedor de nível básico, era a mais pura indiferença.
Seus olhos ardiam. Sua mão estava fechada, como fecha as mãos uma pessoa tomada de raiva. E, bem, era o que estava. Mas raiva perdida, pois estava perdido. Nem gravou sua reação, mal sabe o que fez.
Mas sua memória lembra do que o bilhete dizia. Com a força de mil desastres naturais, abala sua cabeça como um tsunami abala uma metrópole. Seu semblante, entretanto, era não diferente de um tão normal, rotineiro.
E olhou para a caverna. Não havia mais ninguém ali. Ao olhar para o chão, outro bilhete.
"Não esqueça o que viu", dizia. E no que amassava o bilhete, outro aparecia no mesmo lugar, com os mesmos dizeres.
E não havia perdão algum para o desespero.
Nem um fim...
Não quis ver por medo, mas pegou de sua mão. Como se ali estivesse seus piores monstros, concentrou seus olhos de forma amedrontada, com sua cabeça tomada de angústia.
Olhou de volta para quem segurara o bilhete que havia causado tanto horror, e se surpreendeu com o rosto demonstrando significado algum. O significado algum, para qualquer entendedor de nível básico, era a mais pura indiferença.
Seus olhos ardiam. Sua mão estava fechada, como fecha as mãos uma pessoa tomada de raiva. E, bem, era o que estava. Mas raiva perdida, pois estava perdido. Nem gravou sua reação, mal sabe o que fez.
Mas sua memória lembra do que o bilhete dizia. Com a força de mil desastres naturais, abala sua cabeça como um tsunami abala uma metrópole. Seu semblante, entretanto, era não diferente de um tão normal, rotineiro.
E olhou para a caverna. Não havia mais ninguém ali. Ao olhar para o chão, outro bilhete.
"Não esqueça o que viu", dizia. E no que amassava o bilhete, outro aparecia no mesmo lugar, com os mesmos dizeres.
E não havia perdão algum para o desespero.
Nem um fim...
Tuesday, July 09, 2013
The Opening of the Door
Este texto vai ser mais um daqueles que eu não me preocupo tanto com a estrutura e em manter o português totalmente impecável. Provavelmente algumas coisinhas irão passar despercebidas, mas a ideia é dizer o que eu quero.
Hoje eu resolvi juntar cento e dez textos meus que foram escritos entre 2010 e 2013 e reparei como as coisas aconteciam de forma drasticamente diferente até abril do ano passado. A forma de escrever mudou, os temas centrais mudaram, a minha vida mudou - eu mudei muito.
Como eu geralmente não imagino, coloquei minha vida em situações que me fizeram repensar em tudo o que eu estava vivendo, em como eu estava vivendo. Eu estou no melhor centro universitário do país sem pagar nada por isso e tenho um relacionamento amoroso com as coisas que eu sempre sonhei. Mas por que as coisas não estão caminhando direito?
Eu queria chegar ao final deste texto com todas as coisas caminhando bem. Não entendo por que as coisas boas não funcionam bem comigo. Vem sendo complicado pra mim essa vitimização sem fim. Não nasci pra isso, eu pretendo ser grande, e não ficar sentado em um canto perguntando a mim mesmo o que devo fazer.
Não vou entrar na questão da faculdade porque é um assunto que não cabe em um blog como o meu. Como sempre, vou abordar o amor. E, meu Deus, que amor mais anormal esse que eu sinto.
E sabe por que eu digo que é anormal? Porque ele não me deixa pensar direito. Tenho me perguntado há meses se em algum momento eu vou conseguir estabilizar minha mente com o meu coração. Eu não entendo bem, mas não consigo ficar em paz quando te vejo dando atenção para alguém, principalmente quando fico sozinho. Pode ser pelo que aconteceu? Pode. Mas isso me parece mais como uma grande lacuna na minha cabeça. E não consigo pedir nada pra você. Sempre que tenho essa vontade, sinto que vou te sobrecarregar ainda mais e piorar a situação. E o que eu faço, então, é tentar ao máximo não exigir. Mas não consigo. Meu amor por você é anormal.
Sabe, andei lendo uns textos antigos meus, e vi que não perdi a minha essência. Você pode considerar infantil, tonto, seja lá o que for, mas eu gosto das coisas simplezinhas que são enormes. Eu gosto daquele carinho no cabelo, daquela declaração do nada no meio da noite, daqueles beijos apaixonados de meia-hora. Você me disse que espera diferente de um relacionamento, como maturidade e crescimento. Sim, eu espero o mesmo que você, mas acredito que temos entendimento diferente. Tenho medo de tudo se basear demais na seriedade. E não, eu não estou dizendo que você não é carinhosa, e nem mesmo que eu estou insatisfeito. Eu quero te explicar um pouco do que há dentro de mim. E você deveria saber, também, que muito do que há dentro de mim é você.
Eu sou um bobo apaixonado, não sei se você percebeu. Tenho vontade de me perder em você, de me perder com você, de sair ao mundo com você. Mas acho que fomos longe demais na parte de nos perdermos. Você não tem ideia do quanto eu quero que o dia sete de julho de 2013 suma da minha memória. Você não tem ideia do quanto eu te quero longe da Avenida 9 de Julho e seus arredores. Aquela noite foi uma das piores da minha vida. Eu não conseguia me sentir em outro lugar senão no inferno. Eu não reconhecia a mim e não reconhecia você. Não é desse jeito que eu quero me perder com você.
Eu queria te lembrar, outra vez, que nada do que estou falando são reclamações e nem mesmo insatisfações. São algumas coisas que estão na minha cabeça que eu quis te contar. Você deveria saber que eu sou feliz contigo, mas tenho algo que me impede de me manter tranquilo quando não estou sozinho com você. Se você souber o que é, me avisa. Eu receio que seja medo. Medo de você, medo do mundo. Acumulei coisa demais em mim e eu não consigo me sentir em paz. Eu odeio fazer pedidos, mas você conseguiria me colocar em paz? Não é uma exigência, é um pedido com todo o amor que eu sinto. E com isso não entenda que te quero longe, entenda que te quero perto, comigo, bem pertinho, bem colado. Te quero com um sorriso ao acordar do meu lado de manhã, sorrindo pra mim enquanto segura sua xícara de café com as duas mãos e do nada olha pra mim com um sorriso confuso me perguntando por que eu estou te olhando. Você entende essas coisinhas simples? Mal deve você saber as coisas que eu reparo você fazer e os movimentos que você faz. Considero perda de tempo me apaixonar e não guardar detalhes, não querer detalhes.
Eu espero que você entenda que não é por mal que me irrito com você por coisas pequenas. Nunca quis ser um chato. Sei que, sem perceber, acabo exigindo muito. Sempre tive minhas expectativas num patamar muito elevado no amor. Sempre quis muito de mim, sempre quis muito da vida. Não me culpo por isso porque eu quero fazer o melhor por você. Eu quero fazer o melhor pra te fazer bem. Eu não quero ser quem estraga seu dia ou não serve pra te animar, e acabo querendo que você queira isso pra mim, também. Não nego, sou verdadeiro com você.
Não nego que te amar dá trabalho. Torço para que um dia estejamos de bem com a vida do outro, coisa que ainda não acertamos. Mas tenho boa fé. Lhe peço para que nunca, em hipótese alguma, faça algo que possa abalar os pilares estruturais do que sinto por você. Seria demais pra mim.
O que você não entender daqui, me pergunta, fala comigo. Se entender, fala também. Mas não fique em silêncio em hipótese alguma. Seu silêncio me mata.
Hoje eu resolvi juntar cento e dez textos meus que foram escritos entre 2010 e 2013 e reparei como as coisas aconteciam de forma drasticamente diferente até abril do ano passado. A forma de escrever mudou, os temas centrais mudaram, a minha vida mudou - eu mudei muito.
Como eu geralmente não imagino, coloquei minha vida em situações que me fizeram repensar em tudo o que eu estava vivendo, em como eu estava vivendo. Eu estou no melhor centro universitário do país sem pagar nada por isso e tenho um relacionamento amoroso com as coisas que eu sempre sonhei. Mas por que as coisas não estão caminhando direito?
Eu queria chegar ao final deste texto com todas as coisas caminhando bem. Não entendo por que as coisas boas não funcionam bem comigo. Vem sendo complicado pra mim essa vitimização sem fim. Não nasci pra isso, eu pretendo ser grande, e não ficar sentado em um canto perguntando a mim mesmo o que devo fazer.
Não vou entrar na questão da faculdade porque é um assunto que não cabe em um blog como o meu. Como sempre, vou abordar o amor. E, meu Deus, que amor mais anormal esse que eu sinto.
E sabe por que eu digo que é anormal? Porque ele não me deixa pensar direito. Tenho me perguntado há meses se em algum momento eu vou conseguir estabilizar minha mente com o meu coração. Eu não entendo bem, mas não consigo ficar em paz quando te vejo dando atenção para alguém, principalmente quando fico sozinho. Pode ser pelo que aconteceu? Pode. Mas isso me parece mais como uma grande lacuna na minha cabeça. E não consigo pedir nada pra você. Sempre que tenho essa vontade, sinto que vou te sobrecarregar ainda mais e piorar a situação. E o que eu faço, então, é tentar ao máximo não exigir. Mas não consigo. Meu amor por você é anormal.
Sabe, andei lendo uns textos antigos meus, e vi que não perdi a minha essência. Você pode considerar infantil, tonto, seja lá o que for, mas eu gosto das coisas simplezinhas que são enormes. Eu gosto daquele carinho no cabelo, daquela declaração do nada no meio da noite, daqueles beijos apaixonados de meia-hora. Você me disse que espera diferente de um relacionamento, como maturidade e crescimento. Sim, eu espero o mesmo que você, mas acredito que temos entendimento diferente. Tenho medo de tudo se basear demais na seriedade. E não, eu não estou dizendo que você não é carinhosa, e nem mesmo que eu estou insatisfeito. Eu quero te explicar um pouco do que há dentro de mim. E você deveria saber, também, que muito do que há dentro de mim é você.
Eu sou um bobo apaixonado, não sei se você percebeu. Tenho vontade de me perder em você, de me perder com você, de sair ao mundo com você. Mas acho que fomos longe demais na parte de nos perdermos. Você não tem ideia do quanto eu quero que o dia sete de julho de 2013 suma da minha memória. Você não tem ideia do quanto eu te quero longe da Avenida 9 de Julho e seus arredores. Aquela noite foi uma das piores da minha vida. Eu não conseguia me sentir em outro lugar senão no inferno. Eu não reconhecia a mim e não reconhecia você. Não é desse jeito que eu quero me perder com você.
Eu queria te lembrar, outra vez, que nada do que estou falando são reclamações e nem mesmo insatisfações. São algumas coisas que estão na minha cabeça que eu quis te contar. Você deveria saber que eu sou feliz contigo, mas tenho algo que me impede de me manter tranquilo quando não estou sozinho com você. Se você souber o que é, me avisa. Eu receio que seja medo. Medo de você, medo do mundo. Acumulei coisa demais em mim e eu não consigo me sentir em paz. Eu odeio fazer pedidos, mas você conseguiria me colocar em paz? Não é uma exigência, é um pedido com todo o amor que eu sinto. E com isso não entenda que te quero longe, entenda que te quero perto, comigo, bem pertinho, bem colado. Te quero com um sorriso ao acordar do meu lado de manhã, sorrindo pra mim enquanto segura sua xícara de café com as duas mãos e do nada olha pra mim com um sorriso confuso me perguntando por que eu estou te olhando. Você entende essas coisinhas simples? Mal deve você saber as coisas que eu reparo você fazer e os movimentos que você faz. Considero perda de tempo me apaixonar e não guardar detalhes, não querer detalhes.
Eu espero que você entenda que não é por mal que me irrito com você por coisas pequenas. Nunca quis ser um chato. Sei que, sem perceber, acabo exigindo muito. Sempre tive minhas expectativas num patamar muito elevado no amor. Sempre quis muito de mim, sempre quis muito da vida. Não me culpo por isso porque eu quero fazer o melhor por você. Eu quero fazer o melhor pra te fazer bem. Eu não quero ser quem estraga seu dia ou não serve pra te animar, e acabo querendo que você queira isso pra mim, também. Não nego, sou verdadeiro com você.
Não nego que te amar dá trabalho. Torço para que um dia estejamos de bem com a vida do outro, coisa que ainda não acertamos. Mas tenho boa fé. Lhe peço para que nunca, em hipótese alguma, faça algo que possa abalar os pilares estruturais do que sinto por você. Seria demais pra mim.
O que você não entender daqui, me pergunta, fala comigo. Se entender, fala também. Mas não fique em silêncio em hipótese alguma. Seu silêncio me mata.
Saturday, July 06, 2013
The Dearest Enemy Warfare
I was in the front when he yelled at me a couple of words I couldn't understand.
While I was laying down in the bunker, I only could ask me some things: would I die there? Would I deceive anyone more with my lost mind, with my lost me? I couldn't get an answer by that time. Then a little spark of courage hit me and I ran after him.
With a sarcastic smile and without a single gun in his hand, he just started to run backwards. I couldn't measure how angry I was, how I was aiming to shot him until he was falling down on the floor. I was blind by my madness, by my mind, by myself.
Locked up in my will, I started to shoot. One, two, three, four, five shots. He fell to the floor, but like I couldn't imagine, he rised laughing. A triumph laugh. Confused, I stared at that all scared - I felt my fear from within.
Without outline any aggressive reaction, he started to talk.
What the hell is your problem, mate? - All calm. I was still scared about that I was in.
A few seconds were sovereign at that moment. Just at that moment. After that, I wasn't understanding nothing more and I didn't know what could I do, what could I think, and that was enough for him. Then some kind of unknown despair ran through my blood and I yelled:
WHY ARE YOU STILL ALIVE?
And then I received the answer I could not ever, ever, ever expect.
Did you ever asked yourself why can't you kill me?
Did you ever considered to think about what am I?
No, obviously you didn't. But I'll tell you.
YOU CAN'T KILL ME BECAUSE I AM PART OF YOU.
YOU WILL NEVER KILL ME ONLY WITH YOUR ANGER. YOU NEED TO WANT TO. IF YOU KEEP WALKING ON BLIND LIKE THIS, YOU'LL NEVER GET RID OF ME. I AM IN YOUR MIND, I AM IN YOURSELF. NO GUN CAN KILL ME BECAUSE I AM PART OF YOU.
And then he gone away and I fell down to the floor. I finally knew what happened, but my enemy was still alive.
While I was laying down in the bunker, I only could ask me some things: would I die there? Would I deceive anyone more with my lost mind, with my lost me? I couldn't get an answer by that time. Then a little spark of courage hit me and I ran after him.
With a sarcastic smile and without a single gun in his hand, he just started to run backwards. I couldn't measure how angry I was, how I was aiming to shot him until he was falling down on the floor. I was blind by my madness, by my mind, by myself.
Locked up in my will, I started to shoot. One, two, three, four, five shots. He fell to the floor, but like I couldn't imagine, he rised laughing. A triumph laugh. Confused, I stared at that all scared - I felt my fear from within.
Without outline any aggressive reaction, he started to talk.
What the hell is your problem, mate? - All calm. I was still scared about that I was in.
A few seconds were sovereign at that moment. Just at that moment. After that, I wasn't understanding nothing more and I didn't know what could I do, what could I think, and that was enough for him. Then some kind of unknown despair ran through my blood and I yelled:
WHY ARE YOU STILL ALIVE?
And then I received the answer I could not ever, ever, ever expect.
Did you ever asked yourself why can't you kill me?
Did you ever considered to think about what am I?
No, obviously you didn't. But I'll tell you.
YOU CAN'T KILL ME BECAUSE I AM PART OF YOU.
YOU WILL NEVER KILL ME ONLY WITH YOUR ANGER. YOU NEED TO WANT TO. IF YOU KEEP WALKING ON BLIND LIKE THIS, YOU'LL NEVER GET RID OF ME. I AM IN YOUR MIND, I AM IN YOURSELF. NO GUN CAN KILL ME BECAUSE I AM PART OF YOU.
And then he gone away and I fell down to the floor. I finally knew what happened, but my enemy was still alive.
Sunday, June 30, 2013
The Maze Into The Old Town
"Você voltou, então!" - ouvi, aos passos que dei à frente.
E não queria ter voltado, mas me senti obrigado. Afinal de contas, havia passado por ali há não muitos dias. Que estranho seria voltar e, dessa vez, tomar um café com o morador do lugar? Sou visita, quero ser bem recebido. E, dessa vez, não me senti coagido. Fiquei porque quis.
- Por que voltou?
- Acho que você acertou.
- A história dos círculos... acertei? Sabia. Eu te conheço.
Quisera eu não estar errado em nossa primeira conversa, dias atrás, mas ele já me conhecia tanto que eu não podia enganá-lo. Querendo ou não, o que é ele, se não a mim? Um pouco de conversa, resolvi andar. Quarteirões e mais quarteirões andando sozinho, observei tudo que havia. As folhas secas, as lâmpadas de praça queimadas, as ruas com asfalto gasto e cheias de buraco - tudo em total descaso. Até que uma rua em especial me chamou a atenção. Resolvi seguir por ela.
Segui. Pouco iluminado pelas poucas luzes que haviam ali, notei harpias e abutres voando não muito acima da minha cabeça, me rondando. De fato, eram as poucas coisas com vida naquele local. Até que, em um momento, encontrei um local circular, como se fosse uma praça central. Era um lugar dentro de um círculo, e todas as coisas ficavam em volta de um jardim central. No centro desse jardim, havia um banco.
O banco, diferente de muitos outros que encontrei no meio do caminho, era igual ao que estava o outro que encontrei dentro desse mundo. Dessa vez, estava vazio. Tudo estava vazio ali. No que sentei no banco, ouvi:
- É engraçado como você sempre volta.
E era a minha imagem. Com um sorriso torto, amarelo, pediu para que eu me levantasse e o acompanhasse. Assim o fiz.
Ao andar, passei pelas mesmas estátuas que estavam pelo caminho, pelas mesmas folhas secas, pelos mesmos abutres. Andei, andei e andei. Depois de um tempo, depois de reencontrar o lugar em que encontrei a minha imagem por pelo menos duas vezes, parei e perguntei:
- O que está acontecendo?
- Você não sabe?
- Como saberia?
- Você está andando em círculos. Como não notou, se está sempre passando pelo mesmo lugar?
Eu estava andando em círculos. Mesmo em determinada andança, sempre acabava passando pelo mesmo lugar pelo qual comecei. Eu havia enlouquecido. Me perdido em mim mesmo. Eu continuava a mesma coisa.
Recebi uma calada resposta em forma de sorriso, como se eu finalmente tivesse entendido o ponto. Sentei na calçada em frente à praça principal e, eu não havia reparado, mas uma árvore permanecia viva. Não conseguia saber o que significava, àquela altura eu já estava enlouquecido nas minhas andanças circulares. E sair dali seria como seguir a tangente que não me levaria a lugar algum, mas me traria de volta ao círculo.
Até que encontrei uma caverna, depois de horas andando para outro lugar. Dela saiu uma imagem à minha semelhança, mas diferente do homem que me acompanhava. Gentilmente, ouvi uma pergunta sincera:
- Quanto tempo vou ficar aqui? Por que esqueceu tudo o que fiz por você?
(silêncio pairou, mas continuou)
- Foi tão difícil te ensinar, e você conseguiu abrir mão. Se envolveu na tangente e, pior ainda, entrou no círculo. Agora, você que nunca foi tão bom em geometria, como vai lembrar a saída? Como vou lhe ensinar o caminho de saída deste grande wormhole que é isso aqui? Você não sabe, você não sabe. Porque você não consegue aprender.
Em silêncio, soltei um baixo pedido de desculpas e, pacientemente, aguardei o que mais sairia da caverna para me encontrar. E continuo assim.
E não queria ter voltado, mas me senti obrigado. Afinal de contas, havia passado por ali há não muitos dias. Que estranho seria voltar e, dessa vez, tomar um café com o morador do lugar? Sou visita, quero ser bem recebido. E, dessa vez, não me senti coagido. Fiquei porque quis.
- Por que voltou?
- Acho que você acertou.
- A história dos círculos... acertei? Sabia. Eu te conheço.
Quisera eu não estar errado em nossa primeira conversa, dias atrás, mas ele já me conhecia tanto que eu não podia enganá-lo. Querendo ou não, o que é ele, se não a mim? Um pouco de conversa, resolvi andar. Quarteirões e mais quarteirões andando sozinho, observei tudo que havia. As folhas secas, as lâmpadas de praça queimadas, as ruas com asfalto gasto e cheias de buraco - tudo em total descaso. Até que uma rua em especial me chamou a atenção. Resolvi seguir por ela.
Segui. Pouco iluminado pelas poucas luzes que haviam ali, notei harpias e abutres voando não muito acima da minha cabeça, me rondando. De fato, eram as poucas coisas com vida naquele local. Até que, em um momento, encontrei um local circular, como se fosse uma praça central. Era um lugar dentro de um círculo, e todas as coisas ficavam em volta de um jardim central. No centro desse jardim, havia um banco.
O banco, diferente de muitos outros que encontrei no meio do caminho, era igual ao que estava o outro que encontrei dentro desse mundo. Dessa vez, estava vazio. Tudo estava vazio ali. No que sentei no banco, ouvi:
- É engraçado como você sempre volta.
E era a minha imagem. Com um sorriso torto, amarelo, pediu para que eu me levantasse e o acompanhasse. Assim o fiz.
Ao andar, passei pelas mesmas estátuas que estavam pelo caminho, pelas mesmas folhas secas, pelos mesmos abutres. Andei, andei e andei. Depois de um tempo, depois de reencontrar o lugar em que encontrei a minha imagem por pelo menos duas vezes, parei e perguntei:
- O que está acontecendo?
- Você não sabe?
- Como saberia?
- Você está andando em círculos. Como não notou, se está sempre passando pelo mesmo lugar?
Eu estava andando em círculos. Mesmo em determinada andança, sempre acabava passando pelo mesmo lugar pelo qual comecei. Eu havia enlouquecido. Me perdido em mim mesmo. Eu continuava a mesma coisa.
Recebi uma calada resposta em forma de sorriso, como se eu finalmente tivesse entendido o ponto. Sentei na calçada em frente à praça principal e, eu não havia reparado, mas uma árvore permanecia viva. Não conseguia saber o que significava, àquela altura eu já estava enlouquecido nas minhas andanças circulares. E sair dali seria como seguir a tangente que não me levaria a lugar algum, mas me traria de volta ao círculo.
Até que encontrei uma caverna, depois de horas andando para outro lugar. Dela saiu uma imagem à minha semelhança, mas diferente do homem que me acompanhava. Gentilmente, ouvi uma pergunta sincera:
- Quanto tempo vou ficar aqui? Por que esqueceu tudo o que fiz por você?
(silêncio pairou, mas continuou)
- Foi tão difícil te ensinar, e você conseguiu abrir mão. Se envolveu na tangente e, pior ainda, entrou no círculo. Agora, você que nunca foi tão bom em geometria, como vai lembrar a saída? Como vou lhe ensinar o caminho de saída deste grande wormhole que é isso aqui? Você não sabe, você não sabe. Porque você não consegue aprender.
Em silêncio, soltei um baixo pedido de desculpas e, pacientemente, aguardei o que mais sairia da caverna para me encontrar. E continuo assim.
Thursday, June 27, 2013
The Tree of the Hurt Man
E me doeu.
Dessa vez não vou ficar só na superfície. Já me doeu saber muita coisa, e isso é outra coisa que dói. Me dói não ser o que muda o seu dia, me dói não ser o que te ansia a ver. Me dói saber que, no fundo, não faço diferença alguma.
Não dá pra negar, nem você sabe se me ama. Como é que a gente não sabe se ama alguém ou não? É como levar um tiro - a gente sente. Eu levei um tiro seu, e eu sinto, e me dói tanto quanto o projétil. E doía bem, a dor do amor é gostosa. Passa a ser um ardor na alma, a dor de estar morrendo, quando sentimos que não é recíproco e, se é, é porque algo está errado.
E está errado. Não é normal o lapso de haver outro encanto se há amor de verdade. Sendo amor de verdade, um outro encanto deriva daquilo que está à deriva, e você não tem encanto por mim.
E não sou incompreensivo, não. Mesmo em meu dia mais profundo dentro do poço, consegui sorrir e me permitir minutinhos de bem estar quando quem eu amava estava comigo. Com você, mesmo, eu já me permiti. Já sorri em dias que isso era improvável apenas por duas palavras de carinho que você me dedicara.
É claro pra mim: se tem algo que você sente por mim, talvez seja raiva. Não sei por qual motivo, e não sei de verdade. Sempre fui puro em tudo que tentei fazer por você, sempre tentei dar o melhor de mim, até mesmo numa simples escolha de flores para um buquê para te dar. Mas isso nunca foi suficiente.
Nunca foi suficiente para você querer me dar um bom dia às duas horas da tarde. É, coisa boba, mas é verdade. Nunca fui muito. E isso não se trata de acusação por coisas não feitas. Falo de essência, falo de coisas que não estão nas minhas mãos e muito menos nas suas.
Entendo que sempre há os mais contidos, mas se algo é verdadeiro, isso foge de nossas mãos, como fugiu de minhas mãos o meu controle na noite de ontem, em que não conseguia parar de te beijar mesmo com você embaixo da estante.
Me entristeço por não ser algo que você vê com bons olhos, algo que faça você amolecer quando eu sorrio, porque você não sabe o quanto eu amoleço toda vez que você fala qualquer coisa bonita pra mim, quanto aquilo que você disse sobre o que meu quarto representava pra você.
É uma pena que eu goste tanto de você e você não goste de mim. E eu não falo de amor nessa parte do texto, eu falo sobre sentir algo positivo pela pessoa. O sentimento base.
Se tudo o que eu disse aqui estiver errado, por favor, me diga, me prove. Não consigo mais agonizar. Não de novo.
Dessa vez não vou ficar só na superfície. Já me doeu saber muita coisa, e isso é outra coisa que dói. Me dói não ser o que muda o seu dia, me dói não ser o que te ansia a ver. Me dói saber que, no fundo, não faço diferença alguma.
Não dá pra negar, nem você sabe se me ama. Como é que a gente não sabe se ama alguém ou não? É como levar um tiro - a gente sente. Eu levei um tiro seu, e eu sinto, e me dói tanto quanto o projétil. E doía bem, a dor do amor é gostosa. Passa a ser um ardor na alma, a dor de estar morrendo, quando sentimos que não é recíproco e, se é, é porque algo está errado.
E está errado. Não é normal o lapso de haver outro encanto se há amor de verdade. Sendo amor de verdade, um outro encanto deriva daquilo que está à deriva, e você não tem encanto por mim.
E não sou incompreensivo, não. Mesmo em meu dia mais profundo dentro do poço, consegui sorrir e me permitir minutinhos de bem estar quando quem eu amava estava comigo. Com você, mesmo, eu já me permiti. Já sorri em dias que isso era improvável apenas por duas palavras de carinho que você me dedicara.
É claro pra mim: se tem algo que você sente por mim, talvez seja raiva. Não sei por qual motivo, e não sei de verdade. Sempre fui puro em tudo que tentei fazer por você, sempre tentei dar o melhor de mim, até mesmo numa simples escolha de flores para um buquê para te dar. Mas isso nunca foi suficiente.
Nunca foi suficiente para você querer me dar um bom dia às duas horas da tarde. É, coisa boba, mas é verdade. Nunca fui muito. E isso não se trata de acusação por coisas não feitas. Falo de essência, falo de coisas que não estão nas minhas mãos e muito menos nas suas.
Entendo que sempre há os mais contidos, mas se algo é verdadeiro, isso foge de nossas mãos, como fugiu de minhas mãos o meu controle na noite de ontem, em que não conseguia parar de te beijar mesmo com você embaixo da estante.
Me entristeço por não ser algo que você vê com bons olhos, algo que faça você amolecer quando eu sorrio, porque você não sabe o quanto eu amoleço toda vez que você fala qualquer coisa bonita pra mim, quanto aquilo que você disse sobre o que meu quarto representava pra você.
É uma pena que eu goste tanto de você e você não goste de mim. E eu não falo de amor nessa parte do texto, eu falo sobre sentir algo positivo pela pessoa. O sentimento base.
Se tudo o que eu disse aqui estiver errado, por favor, me diga, me prove. Não consigo mais agonizar. Não de novo.
Entwined In My Deepest Place
Tem certas coisas nessa vida que eu nunca imagino como acontecem sem eu perceber. Sem que eu percebesse, você mexeu comigo de forma que eu não acreditaria que pudesse acontecer. Tão simples e tão rápido, passei a viver a sua vida sem que eu ao menos pudesse pensar em fazer isso. E sei que você também não pensou.
Aquele dia em que nos encontramos naquela tarde qualquer, em que não tínhamos o que fazer, enxerguei em seus olhos que eu era importante pra você. Cada coisa boba que você me dizia, eu sabia que você não falava para qualquer um, e você só falava para mim para me fazer rir. E conseguia. Conseguia como ninguém.
Pouco a pouco, no que nos víamos mais, naturalmente nos aproximamos e o fascínio crescia de forma mútua até nos vermos ou nos falarmos quase todos os dias, e sentíamos falta da presença do outro. Mal sabia eu o que viraria.
Aquele dia que fomos no cinema, eu tremia por dentro. Tremia desde antes de você chegar e tremi até ir embora, e sabia que com você era assim também. Sabia que você estava inquieta, a ponto de querer comentar cada cena do filme comigo, apenas para que não ficássemos calados. Vi, também, sua mão trêmula e a tensão em seu rosto enquanto tentava segurar a minha mão largada. Aquele cinema sofreu com um terremoto que só nós dois sentimos.
Ao que você precisou ir embora, seu abraço de despedida soou como o de um adeus, como se nunca mais fossemos nos ver, mesmo sabendo que nos veríamos em menos de, não sei, uns três dias. Sua respiração em meu cabelo, que se confundia com os seus, dizia mais do que qualquer palavra. Quando você foi embora, congelei quando você segurou a minha mão e disse o clássico "se cuida", que não poderia ser mais verdadeiro e preocupado. E me cuidei, sim, ao ir embora com o maior sorriso que eu poderia dar durante todo o percurso até a minha casa, com aquela sensação de tristeza por você ter ido para a sua casa.
Se tremi no dia do cinema, devastei uma cidade com o meu tremor quando você bateu à minha porta. Te convidei para entrar e, em não muito tempo, já estávamos em minha cama. No momento em que estávamos deitados e você pulou em cima de mim na velocidade de um relâmpago, olhei cada detalhe seu, e seu coração não batia no ritmo de uma música do Chico Buarque, não, seu coração me soava perfeitamente como uma música do Flux Pavillion, que, por sinal, me agrada muito mais. E me apaixonei pelo momento em que você começou a me atacar com trilhões de beijos no rosto, logo atacando meu pescoço e o resto do meu corpo - e me rendi: você era a perfeita personificação do amor. Apaixonado e extasiado, saí do controle e me afoguei em você, em seu corpo, em sua alma. Estava como sempre quis estar, fui o que eu sempre quis ser.
A essa altura, já estava apaixonado, sem ter como ser diferente. Guardava seu olhar, seu cabelo, seu toque, sua voz doce, tudo o que dizia respeito a você, em minha alma.
Certo dia, num desses que o mundo nos enche a cabeça até quase transbordarmos, resolvi dormir mais cedo, lá pelas nove horas da noite. Durante a madrugada, algo por volta de 3:45, acordei assustado com o barulho do celular, e mais assustado ainda ao ler seu nome no visor. Atendi, com a maior voz de sono, e derreti ao ouvir seus dizeres tão simples:
- Desculpa ter te ligado uma hora dessas. Eu queria falar um pouquinho com você.
Com o maior carinho do mundo, não vi o menor problema em ter visto meu sono acordar muitas horas antes do que o habitual. Me valia o mundo inteiro ter sido acordado àquela hora para alguém poder ouvir a minha voz, para poder me falar coisas tão bobas quanto as daquele dia em que nos encontramos por acaso. Depois que desligamos, não consegui voltar a dormir. Não queria desperdiçar a felicidade. Foi como naquela música daquela banda que tanto gosto, o Ira!, e vou tomar a liberdade de mudar uma palavra para adequar à situação: Você me ligou naquela noite vazia e me valeu o dia.
E é sempre assim. Eu nunca quero dormir por causa da maravilhosa sensação que você sempre me proporciona. Minha vida vale muito mais desde que lhe conheci. Minha mente fantasia sempre que você preenche minhas tardes vazias. Você é como um jardim de flores coloridas - porque é minha combinação favorita de cores de flor -, que cuido com todo o esmero que meu coração pode condicionar às minhas mãos.
E se um dia você for embora, serei vazio. Serei cinza. Serei o ninguém que sempre fui antes de você. Que isso não sirva de prisão para caso um dia você queira ir embora; não, que isso sirva para que você se apaixonar mais e mostrar à sua mente que seu lugar é aqui, bem entrelaçada ao meu coração, bem encaixada em meus braços. Bem encaixada em minha vida.
Aquele dia em que nos encontramos naquela tarde qualquer, em que não tínhamos o que fazer, enxerguei em seus olhos que eu era importante pra você. Cada coisa boba que você me dizia, eu sabia que você não falava para qualquer um, e você só falava para mim para me fazer rir. E conseguia. Conseguia como ninguém.
Pouco a pouco, no que nos víamos mais, naturalmente nos aproximamos e o fascínio crescia de forma mútua até nos vermos ou nos falarmos quase todos os dias, e sentíamos falta da presença do outro. Mal sabia eu o que viraria.
Aquele dia que fomos no cinema, eu tremia por dentro. Tremia desde antes de você chegar e tremi até ir embora, e sabia que com você era assim também. Sabia que você estava inquieta, a ponto de querer comentar cada cena do filme comigo, apenas para que não ficássemos calados. Vi, também, sua mão trêmula e a tensão em seu rosto enquanto tentava segurar a minha mão largada. Aquele cinema sofreu com um terremoto que só nós dois sentimos.
Ao que você precisou ir embora, seu abraço de despedida soou como o de um adeus, como se nunca mais fossemos nos ver, mesmo sabendo que nos veríamos em menos de, não sei, uns três dias. Sua respiração em meu cabelo, que se confundia com os seus, dizia mais do que qualquer palavra. Quando você foi embora, congelei quando você segurou a minha mão e disse o clássico "se cuida", que não poderia ser mais verdadeiro e preocupado. E me cuidei, sim, ao ir embora com o maior sorriso que eu poderia dar durante todo o percurso até a minha casa, com aquela sensação de tristeza por você ter ido para a sua casa.
Se tremi no dia do cinema, devastei uma cidade com o meu tremor quando você bateu à minha porta. Te convidei para entrar e, em não muito tempo, já estávamos em minha cama. No momento em que estávamos deitados e você pulou em cima de mim na velocidade de um relâmpago, olhei cada detalhe seu, e seu coração não batia no ritmo de uma música do Chico Buarque, não, seu coração me soava perfeitamente como uma música do Flux Pavillion, que, por sinal, me agrada muito mais. E me apaixonei pelo momento em que você começou a me atacar com trilhões de beijos no rosto, logo atacando meu pescoço e o resto do meu corpo - e me rendi: você era a perfeita personificação do amor. Apaixonado e extasiado, saí do controle e me afoguei em você, em seu corpo, em sua alma. Estava como sempre quis estar, fui o que eu sempre quis ser.
A essa altura, já estava apaixonado, sem ter como ser diferente. Guardava seu olhar, seu cabelo, seu toque, sua voz doce, tudo o que dizia respeito a você, em minha alma.
Certo dia, num desses que o mundo nos enche a cabeça até quase transbordarmos, resolvi dormir mais cedo, lá pelas nove horas da noite. Durante a madrugada, algo por volta de 3:45, acordei assustado com o barulho do celular, e mais assustado ainda ao ler seu nome no visor. Atendi, com a maior voz de sono, e derreti ao ouvir seus dizeres tão simples:
- Desculpa ter te ligado uma hora dessas. Eu queria falar um pouquinho com você.
Com o maior carinho do mundo, não vi o menor problema em ter visto meu sono acordar muitas horas antes do que o habitual. Me valia o mundo inteiro ter sido acordado àquela hora para alguém poder ouvir a minha voz, para poder me falar coisas tão bobas quanto as daquele dia em que nos encontramos por acaso. Depois que desligamos, não consegui voltar a dormir. Não queria desperdiçar a felicidade. Foi como naquela música daquela banda que tanto gosto, o Ira!, e vou tomar a liberdade de mudar uma palavra para adequar à situação: Você me ligou naquela noite vazia e me valeu o dia.
E é sempre assim. Eu nunca quero dormir por causa da maravilhosa sensação que você sempre me proporciona. Minha vida vale muito mais desde que lhe conheci. Minha mente fantasia sempre que você preenche minhas tardes vazias. Você é como um jardim de flores coloridas - porque é minha combinação favorita de cores de flor -, que cuido com todo o esmero que meu coração pode condicionar às minhas mãos.
E se um dia você for embora, serei vazio. Serei cinza. Serei o ninguém que sempre fui antes de você. Que isso não sirva de prisão para caso um dia você queira ir embora; não, que isso sirva para que você se apaixonar mais e mostrar à sua mente que seu lugar é aqui, bem entrelaçada ao meu coração, bem encaixada em meus braços. Bem encaixada em minha vida.
Tuesday, June 25, 2013
Standing In The Middle
Sometimes I feel it's like nothing that I ever do is ever good enough, for real
Like I should stop and goback to L.A.
Back away where I know I won't be seen
And nobody's gonna critique the music that I make
And mistake me for some fucking kid with a backpack
Rapping on a track just to make a buck
For a mix-tape that sucks
And dee-jays that don't get it
But I been down that road and I know
People don't wanna go where I might go.
Like I should stop and go
Back away where I know I won't be seen
But I been down that road and I know
People don't wanna go where I might go.
Middle Point of the Circle
Nada é tão velho quanto a vontade de ir embora. Mais uma vez, em outro lugar, a história se repete. Não sei a quem eu poderia deixar a culpa se não a mim mesmo. Apesar de saber que tal coisa é possível, não entra em minha cabeça que em todos os casos a culpa não foi minha.
Não me dói ter essa noção, mas me dói ver a vontade comum de quererem ir embora.
Sendo o mais verdadeiro possível, não consigo enxergar em qual ponto eu erro. E não que eu esteja dizendo que não erro, mas que realmente não sei, mesmo. Passo horas e horas, dias e dias da minha vida tentando solucionar essa questão que grudou em minha mente e nunca me vem a mínima resposta. E, se pergunto, a resposta é sempre a mesma: "você não erra em nada".
Mas, como não? O que explica todo mundo saber que vai se sentir melhor se for embora? O que explica todo mundo ser realmente mais feliz depois que vai?
Por isso, então, insisto: o que eu faço de errado?
Seria, então, o caso de eu sempre fazer muito por quem provavelmente nunca se apaixonou, fazendo com que a pessoa insista em dizer que me ama, na tentativa de fazer com que isso seja verdade?
Tenho que admitir: minhas boas intenções e os amores que sempre dediquei nunca serviram de alguma coisa, nunca serviram para fazer a pessoa saber que vai ser melhor estar comigo.
Me dói muito, e como dói, saber que nunca esteve na cabeça de ninguém que estar comigo seria a melhor opção, a coisa mais racional a se fazer.
Há tempos insisto no "efeito escada": a pessoa passa por mim para chegar no nível mais alto. E não, não considero isso como tirar proveito de mim, porque, não, não é nada disso. Simplesmente parece que todos alcançam uma vida melhor depois de mim.
Mas, e quanto a mim?
Quando é que vou realmente ser o que a pessoa quer perto dela para que a vida dela seja melhor?
E, sabe, isso já virou lugar-comum para mim. Como se, no fundo, eu aceitasse a derrota.
Sou sempre o que a pessoa não sabe se quer, ou, então, o que a pessoa não quer.
Sou a eterna interrogação do mundo.
If you're walking out of me, I'm walking after you.
Não me dói ter essa noção, mas me dói ver a vontade comum de quererem ir embora.
Sendo o mais verdadeiro possível, não consigo enxergar em qual ponto eu erro. E não que eu esteja dizendo que não erro, mas que realmente não sei, mesmo. Passo horas e horas, dias e dias da minha vida tentando solucionar essa questão que grudou em minha mente e nunca me vem a mínima resposta. E, se pergunto, a resposta é sempre a mesma: "você não erra em nada".
Mas, como não? O que explica todo mundo saber que vai se sentir melhor se for embora? O que explica todo mundo ser realmente mais feliz depois que vai?
Por isso, então, insisto: o que eu faço de errado?
Seria, então, o caso de eu sempre fazer muito por quem provavelmente nunca se apaixonou, fazendo com que a pessoa insista em dizer que me ama, na tentativa de fazer com que isso seja verdade?
Tenho que admitir: minhas boas intenções e os amores que sempre dediquei nunca serviram de alguma coisa, nunca serviram para fazer a pessoa saber que vai ser melhor estar comigo.
Me dói muito, e como dói, saber que nunca esteve na cabeça de ninguém que estar comigo seria a melhor opção, a coisa mais racional a se fazer.
Há tempos insisto no "efeito escada": a pessoa passa por mim para chegar no nível mais alto. E não, não considero isso como tirar proveito de mim, porque, não, não é nada disso. Simplesmente parece que todos alcançam uma vida melhor depois de mim.
Mas, e quanto a mim?
Quando é que vou realmente ser o que a pessoa quer perto dela para que a vida dela seja melhor?
E, sabe, isso já virou lugar-comum para mim. Como se, no fundo, eu aceitasse a derrota.
Sou sempre o que a pessoa não sabe se quer, ou, então, o que a pessoa não quer.
Sou a eterna interrogação do mundo.
If you're walking out of me, I'm walking after you.
Unforgettable Old Town
E não me imaginava refazendo tal visita.
Adentrei aquele lugar como alguém entra em um porão depois de anos. Munido de uma lanterna, apenas olhei em volta enquanto caminhava. O lugar assustava, o vento pouco soprava e as folhas das árvores se moviam lentamente. Enquanto caminhava sozinho, ouvi passos perto de mim. Ao olhar para o lado, apontei a lanterna. Vi um banco de praça: havia outro sentado ali.
Ao me aproximar, notei um semblante triste, com o olhar voltado para mim. Outro ser solitário ali, naquele lugar com apenas uma fonte de iluminação que estava em minhas mãos. Então o perguntei o que fazia por lá, e ouvi: "assim como você, eu não sei".
Assustado, resolvi trazê-lo para continuar andando comigo. Conforme seguia, mais o local parecia escuro. Perguntei a quem me acompanhava se havia alguma fonte de luz que pudesse iluminar o lugar. Recebi como resposta: "como você pode ter esquecido?" - ao som de uma voz baixa, triste.
Ao local finalmente ser iluminado, encontrei um lugar em ruínas - flores pisadas, árvores secas. Seria, no caso, o lugar mais morto que eu poderia conhecer. E, realmente, eu conhecia o lugar.
Ao menor sinal de almejar fugir dali, a pessoa solitária do banco da praça resolveu me segurar. Toda a força que eu fazia parecia mera perda de tempo, mero gasto de energia, até que caí no chão.
No que decidi manter a calma, sentei no mesmo banco de praça que havia encontrado a pessoa solitária. Ela veio até mim e, de forma curiosa, me perguntou: "por que voltou aqui?" - dessa vez, com os olhos não tão tristes. E não soube responder.
E então ouvi:
- Você está caminhando em círculos, não é verdade? Não é verdade que, mesmo nesta determinada andança, você acaba passando pelo mesmo lugar de onde começou? Você enlouqueceu. Eu sei, você se perdeu em você de novo. E eu sei, sempre soube, você continua a mesma coisa.
Calado, consegui apenas dar um breve olhar.
Não muito depois, uma tempestade começou e uma flor surgiu, como algo mágico, muito além do senso das coisas naturais. Levantei-me e, ignorando tais palavras que acabara de ouvir, peguei a flor e decidi ir embora.
Antes de abandonar aquele lugar, resolvi responder às palavras que ouvira:
- Me desculpe. Eu não deveria ter vindo aqui. Não deveria ter vindo colocar meus pés aqui. Você é a antiga imagem de mim, eu não precisava ter lhe atormentado.
Fui embora.
Confuso, encostei na porta fechada do mundo que eu havia visitado.
E me entendia bem depois de encontrar meu velho amigo, o velho eu.
Só não entendia por que, mais uma vez, eu havia aberto aquela porta e dado passos para dentro dali.
Adentrei aquele lugar como alguém entra em um porão depois de anos. Munido de uma lanterna, apenas olhei em volta enquanto caminhava. O lugar assustava, o vento pouco soprava e as folhas das árvores se moviam lentamente. Enquanto caminhava sozinho, ouvi passos perto de mim. Ao olhar para o lado, apontei a lanterna. Vi um banco de praça: havia outro sentado ali.
Ao me aproximar, notei um semblante triste, com o olhar voltado para mim. Outro ser solitário ali, naquele lugar com apenas uma fonte de iluminação que estava em minhas mãos. Então o perguntei o que fazia por lá, e ouvi: "assim como você, eu não sei".
Assustado, resolvi trazê-lo para continuar andando comigo. Conforme seguia, mais o local parecia escuro. Perguntei a quem me acompanhava se havia alguma fonte de luz que pudesse iluminar o lugar. Recebi como resposta: "como você pode ter esquecido?" - ao som de uma voz baixa, triste.
Ao local finalmente ser iluminado, encontrei um lugar em ruínas - flores pisadas, árvores secas. Seria, no caso, o lugar mais morto que eu poderia conhecer. E, realmente, eu conhecia o lugar.
Ao menor sinal de almejar fugir dali, a pessoa solitária do banco da praça resolveu me segurar. Toda a força que eu fazia parecia mera perda de tempo, mero gasto de energia, até que caí no chão.
No que decidi manter a calma, sentei no mesmo banco de praça que havia encontrado a pessoa solitária. Ela veio até mim e, de forma curiosa, me perguntou: "por que voltou aqui?" - dessa vez, com os olhos não tão tristes. E não soube responder.
E então ouvi:
- Você está caminhando em círculos, não é verdade? Não é verdade que, mesmo nesta determinada andança, você acaba passando pelo mesmo lugar de onde começou? Você enlouqueceu. Eu sei, você se perdeu em você de novo. E eu sei, sempre soube, você continua a mesma coisa.
Calado, consegui apenas dar um breve olhar.
Não muito depois, uma tempestade começou e uma flor surgiu, como algo mágico, muito além do senso das coisas naturais. Levantei-me e, ignorando tais palavras que acabara de ouvir, peguei a flor e decidi ir embora.
Antes de abandonar aquele lugar, resolvi responder às palavras que ouvira:
- Me desculpe. Eu não deveria ter vindo aqui. Não deveria ter vindo colocar meus pés aqui. Você é a antiga imagem de mim, eu não precisava ter lhe atormentado.
Fui embora.
Confuso, encostei na porta fechada do mundo que eu havia visitado.
E me entendia bem depois de encontrar meu velho amigo, o velho eu.
Só não entendia por que, mais uma vez, eu havia aberto aquela porta e dado passos para dentro dali.
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