Monday, December 09, 2013

Somewhere Out of the Lane

Eu vi o céu escurecer ao fim de mais uma tarde
E vi minha alma enfurecer ao cão que late
E é cão mau, que não merece carinho
Que me faz sozinho
Que me joga em cela suja
Para que solitário eu fuja
E não consiga

E o fardo que carrego
E a dor que não nego
Quem vê, não vai além do que há para ver
Passa longe do meu ser
E não entende do que posso falar
Hei, então, de me calar
Para que aceite o mundo sozinho

E o calor mau que há dentro de mim
Queima por dentro, me mata, sim
Traz meus demônios para perto de minha consciência
E não hão de ter a mínima decência
De me deixar em paz
Ainda que já doa assaz
Não me deixam, nunca, não me deixam

E saí do que sou e quero ser
E descarreguei-me no melhor soco que a porta poderia receber
"A boca fala do que está cheio o coração"
Iminente é o perigo dos monstros que ali estão
No porão de mim mesmo, ao maior controle que consigo colocar
Mas, que forças tenho? Estão sempre prestes a falar
Através de minha boca, através de minha alma

E olho para as estrelas, no céu que vi escurecer
Entardecer, entardecer, entardecer
E meus demônios olharam pra mim
Queriam que colocassem, a mim, um fim
E não me contive, e fui mais do que meu choro
Muito mais do que o ódio do estouro
Alguém a quem mal a si mesmo se mostrou

Sentei no chão e procurei entender
"Me perdi, ou ainda consigo ser?
Ainda me tenho, ou já não sei aonde estou
como um perdido que entre suas ruas chorou?"
Ao som dos pássaros que circundavam a noite escura
Enquanto ouvia o silêncio de sua alma pura
Que, de fato, não reconhecia mais

Adormeci, e em meus sonhos vi um belo campo, gramado
Como sempre quis ter ao meu lado
Ou ao lado de minha casa, no ponto setentrional
Junto com quem escolhi para me acompanhar até o final
Então acordei, e vi o céu escurecer ao fim de mais uma tarde
E dessa vez não fiz alarde
Só escolhi olhar em volta procurando por mim

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