E não me imaginava refazendo tal visita.
Adentrei aquele lugar como alguém entra em um porão depois de anos. Munido de uma lanterna, apenas olhei em volta enquanto caminhava. O lugar assustava, o vento pouco soprava e as folhas das árvores se moviam lentamente. Enquanto caminhava sozinho, ouvi passos perto de mim. Ao olhar para o lado, apontei a lanterna. Vi um banco de praça: havia outro sentado ali.
Ao me aproximar, notei um semblante triste, com o olhar voltado para mim. Outro ser solitário ali, naquele lugar com apenas uma fonte de iluminação que estava em minhas mãos. Então o perguntei o que fazia por lá, e ouvi: "assim como você, eu não sei".
Assustado, resolvi trazê-lo para continuar andando comigo. Conforme seguia, mais o local parecia escuro. Perguntei a quem me acompanhava se havia alguma fonte de luz que pudesse iluminar o lugar. Recebi como resposta: "como você pode ter esquecido?" - ao som de uma voz baixa, triste.
Ao local finalmente ser iluminado, encontrei um lugar em ruínas - flores pisadas, árvores secas. Seria, no caso, o lugar mais morto que eu poderia conhecer. E, realmente, eu conhecia o lugar.
Ao menor sinal de almejar fugir dali, a pessoa solitária do banco da praça resolveu me segurar. Toda a força que eu fazia parecia mera perda de tempo, mero gasto de energia, até que caí no chão.
No que decidi manter a calma, sentei no mesmo banco de praça que havia encontrado a pessoa solitária. Ela veio até mim e, de forma curiosa, me perguntou: "por que voltou aqui?" - dessa vez, com os olhos não tão tristes. E não soube responder.
E então ouvi:
- Você está caminhando em círculos, não é verdade? Não é verdade que, mesmo nesta determinada andança, você acaba passando pelo mesmo lugar de onde começou? Você enlouqueceu. Eu sei, você se perdeu em você de novo. E eu sei, sempre soube, você continua a mesma coisa.
Calado, consegui apenas dar um breve olhar.
Não muito depois, uma tempestade começou e uma flor surgiu, como algo mágico, muito além do senso das coisas naturais. Levantei-me e, ignorando tais palavras que acabara de ouvir, peguei a flor e decidi ir embora.
Antes de abandonar aquele lugar, resolvi responder às palavras que ouvira:
- Me desculpe. Eu não deveria ter vindo aqui. Não deveria ter vindo colocar meus pés aqui. Você é a antiga imagem de mim, eu não precisava ter lhe atormentado.
Fui embora.
Confuso, encostei na porta fechada do mundo que eu havia visitado.
E me entendia bem depois de encontrar meu velho amigo, o velho eu.
Só não entendia por que, mais uma vez, eu havia aberto aquela porta e dado passos para dentro dali.
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