E saiu você de dentro da caverna, segurando um bilhete.
Não quis ver por medo, mas pegou de sua mão. Como se ali estivesse seus piores monstros, concentrou seus olhos de forma amedrontada, com sua cabeça tomada de angústia.
Olhou de volta para quem segurara o bilhete que havia causado tanto horror, e se surpreendeu com o rosto demonstrando significado algum. O significado algum, para qualquer entendedor de nível básico, era a mais pura indiferença.
Seus olhos ardiam. Sua mão estava fechada, como fecha as mãos uma pessoa tomada de raiva. E, bem, era o que estava. Mas raiva perdida, pois estava perdido. Nem gravou sua reação, mal sabe o que fez.
Mas sua memória lembra do que o bilhete dizia. Com a força de mil desastres naturais, abala sua cabeça como um tsunami abala uma metrópole. Seu semblante, entretanto, era não diferente de um tão normal, rotineiro.
E olhou para a caverna. Não havia mais ninguém ali. Ao olhar para o chão, outro bilhete.
"Não esqueça o que viu", dizia. E no que amassava o bilhete, outro aparecia no mesmo lugar, com os mesmos dizeres.
E não havia perdão algum para o desespero.
Nem um fim...
No comments:
Post a Comment