Me surpreendo com o quanto fui cego por um longo período. Entrei em um lugar aonde não era para eu entrar. E não era pra eu ter ficado.
Mas fiquei ali.
Burrice a minha! Não fui quisto.
No que tentei com as mais belas palavras, os mais profundos sentimentos, não vi que nada resolveria. Nem que eu carregasse montanhas nas costas, nem que eu colorisse as nuvens. Nada.
Seria mais fácil se eu tivesse ido embora ao primeiro sinal que recebi.
E não haveria dor.
E não haveria arrependimento.
E não haveria qualquer vazio.
Também não haveria tempo perdido;
Nem altruísmo.
No que fiquei, forcei paredes para abrir espaço - e não funcionou. Quis o que eu não poderia ter.
Dare nemo potest quod non habet. Por que nunca pensei nisso?
Que burrice a minha, outra vez. Não fui quisto - e não seria, independente do que eu fizesse.
Nunca precisou de nada do que fiz. Quem fez pouco, teve; quem fez muito, teve. Eu, não.
O problema não é fazer. É ter, assim, de modo tão simples.
E tal simplicidade não quis passar por mim. Quis multiplicar um número grande, mas não vi a tempo que seria por zero.
E eu poderia ter sido racional.
Mas como poderia? Era tão impossível.
Seria duro, mas não pouparia tanto?
Tanto sofrimento.
Tanto arrependimento,
Tanta coisa.
Pouparia.
E nada disso seria.
E seria diferente.
Não adiantou. Nada adiantou.
Now everything’s gone, everything’s lost;
Promise to God, I’ve paid my cost.