Sunday, September 23, 2012

Is It Something Missing?

Não é incomum saber que eu nunca fui muita coisa. Não era costume eu fazer algo que realmente fizesse eu me sentir completo, realizado ou algo que suprisse a falta de algo importante. Porém, você apareceu.

No que você apareceu, à primeira vista, não imaginei o que viria a ser a sua presença. Já havia vivido intensidades por outras vezes, mas nunca como a sua. Pois bem, aí é que tudo começou.

No começo, vi que acabaria dentro do padrão ao qual já estava acostumado. Que inocência a minha, meu Deus!, que inocência. A partir da inocência, comecei a viver a nova história.

Enquanto eu partia da inocência, a intensidade foi aparecendo. Foi crescendo mais e mais, e, sem perceber, superou todas as previsões. Superou, inclusive, meu controle da situação - que, por sinal, eu não me preocupava em ter -, o que foi um erro proporcional à intensidade. Bobo que sou, deixei de viver a minha vida para viver cada segundo do que havia começado.

Para ser claro, passei a viver uma outra vida: a vida dela. Até então, eu não me importava com a minha, o que fez ficar mais fácil eu deixar a minha vida em espera. Só que eu não achava ruim, bem como não sabia se era ou não. O que realmente era interessante, era plausível de ser vivido, era aquela vida que havia cruzado a minha. E foi assim que aconteceu: me entreguei mais do que totalmente. Entreguei até o que havia além do que eu conhecia.

O que fazia eu me sentir vivo era adentrar sua alma, me dedicar a ela. Entrar em outra atmosfera, já que a minha não me valia a pena. Cada tempo que dedicava parecia pouco, mas mal percebia eu que passava muito mais do que eu poderia imaginar. E cada batida de seu coração me fazia sentir completo, com a falta que eu sempre tive suprida. Era o ápice do que eu poderia ter vivido, porque me tornara algo tão melhor do que sempre fui.

Mas aí ela foi embora.

No que ela foi embora e seguiu sua vida, eu fiquei. Pouco a pouco, notei que a sensação de ser uma pessoa melhor foi uma ótima enganação. De volta ao o que eu era antes, segui em direção ao meu poço mental. O espaço que você preenchia esvaziou, e fui obrigado a viver a minha vida. De início, não foi assustador. Tempo depois, vi que era bem a mesma coisa de antes: insuficiente. Faltava algo.

Me afoguei tanto na alma dela que esqueci da minha. Esqueci tanto que provavelmente nunca vou saber em qual lugar ficou a alma inocente que eu tinha antes. Inocência que faz falta, porque me evitava de um colapso a cada falta que eu sinto.
Atualmente, vivendo a minha vida, há coisas que fazem com que eu faça uma releitura de Camões: estou em um descontentamento descontente.

Não sei viver só a minha vida, pelo menos como está. Falta algo.

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