Wednesday, May 25, 2011

Left on the Road

25 de maio de 2011, 01:55. Estou aqui, mais um dia, vivo. Vivo? O que eu estou, e onde eu estou? Nenhuma rua me leva à lugar algum, e aquela rua que costumava me levar ao lugar mais belo e feliz que eu conhecia, foi destruída abruptamente. Agora, preso aqui, não tenho outros caminhos, não vejo soluções, não ouço sussuros doces que paravam meu mundo. O vento se acalma, o tempo continua, aquilo que me mantinha vivo foi embora. Aquilo que me mantinha vivo quer manter outra coisa viva. Todas as flores morreram, e todo o sol escureceu.

Lutei. Mudei movimentos, mudei pensamentos, mudei falas. Mudei, de verdade. Meu coração expandiu sua profundidade, e aquela coisa linda, a mais linda que já havia visto, preencheu todo este espaço que crescia. Respirei um ar mais puro, enxerguei um mar mais limpo. Só que eu fui além, eu criei o eterno, e sempre estive sozinho nessa. "Sempre", sozinho até nisso, no sempre.

Olhava aquilo que me tirava um sorriso sincero, puro, mas eu não era olhado de volta. Deixei meu sorriso correr em aviso ao coração, permiti que continuasse o trabalho de expansão de profundidade. Deixei, deixei, deixei, e fui deixado. Esquecido pelo caminho, esquecido por causa de um não esquecimento.

Segundo plano, sentimento mental. A mente não sente. Não havia espaço, não entrei. Agora a vida está cinza, e você é um nada. Nenhuma linha remete à você, nenhuma faísca é por você. Aceitou e correu. Correu e caiu. Não voltou e não te puxou, apenas empurrou. Seu significado nunca foi relevante, sempre foi alvo de sorrisos falsos. A eternidade deu as caras e foi embora poucas semanas depois.

Agora você se vê, jogado, esquecido, perdido. Se olhe no espelho, e não te veja. Você não ouve aquilo, você não sente aquilo, você não tem aquilo. Você nunca possuiu, você nunca esteve lá.

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