Todos os pedaços estão ali, jogados. Jogados numa rua, num espaço vazio, cheio, silencioso, barulhento.
As nuvens cobrem o sol e fazem um dia nublado, sem graça, sem sal, morto. Um homem morto anda, procura seus pedaços - não encontra. Mas no fundo, sabe onde está.
Olha em volta, prédios e prédios, pessoas e pessoas. Grande coisa. A única coisa que vê é agonia e pressão, desatenção e desânimo. Seu rosto pesa, sua mão está gelada. Não vê as ruas como via antes, não sente seu corpo como sentia antes. Seus ouvidos não ouvem porque há procura por apenas um som.
Seus sorrisos, sua risada, não são as de antes. Abafam, escondem, mas não desatam aquele nó, não destroem aquele esmagamento no que (físicamente) te mantém vivo. Escorre em sua pele e deixa um rastro vermelho, um rastro negro, de dor. Houve um passeio triste, uma marca atormentadora em sua mente, um choque realístico, um drama, uma falsa felicidade em seus sonhos.
Acordar e continuar procurando pedaços. O som dos carros, o silêncio do seu quarto. Nenhum dos dois te faz esquecer daquilo que te despedaça e faz sangrar, faz chorar, faz chover por dentro, não existe alívio. As paredes brancas, os muros pintados, os milhares de tijolos erguidos em direção às nuvens não deixam seu dia em cores - o que muda, aliás?
As coisas se queimam, as coisas se perdem. Sua mente não para, sua mente te tortura. Seus pedaços somem, sua mão continua fria, você continua caído, congelado, morto.
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