Sunday, June 19, 2011

Darkness at Noon

O céu é tomado por nuvens vermelhas - olhos amarelos enxergam seus passos: não corra; seu caminho está traçado.

Segure e guarde as suas lágrimas, você precisará de muitas delas. As mãos do terror seguram seus pés e as tais nuvens vermelhas assombram-te em seu caminho. Não pule, não corra, você não vai conseguir. Gritos de ódio te perseguem em um quarto escuro; você não vê as paredes e só sabe que ali existe um chão porque seus pés o sentem. A agonia se instala em sua garganta e te cala em meio a gritos. Você tenta fugir daquele quarto, a porta está trancada, e ali não há luz. Você se aproxima da parede e mãos te tocam, mãos que você não sabe de quem - ou o quê - são. Poupe seus clamores, cale-se. Você não sabe o que está ali com você, e o horror estampado em seu rosto é como alimento ao que ali habita.

Uma janela se abre, você escapa. As nuvens se juntam e uma chuva inicia. Gotas de sangue e raios de ódio. Aquele sangue te aterroriza e você tenta abrigo em baixo de uma árvore. As folhas desta árvore são negras, e são somadas à escuridão que domina aquele lugar. Parabéns, você está dentro de um quadro do terror. Preocupe-se com sua sobrevivência, aqueles olhos amarelos se tornaram vermelhos, do mesmo sangue que cai naquela chuva. Vire-se, e comece a chorar. Esconda teu rosto. Fuja, e tente procurar algo melhor.

Você corre por quilômetros. Não adianta, correntes te prendem e arrastam para um lago escuro. Te olham por cima, e tudo de você será destruído. Suas lágrimas pesam, sangram e escurecem-te. O cenário - o pior da sua vida - que você vê (e vive) não parece próximo de terminar. O chão é manchado pelo que há de pior, o escuro lago te cobre com mãos que lhe puxam para baixo. Você não consegue gritar; o sangue coagula em teu corpo. Seu cérebro queima, seus olhos congelam. Você começa a lutar e é paralisado. Fuja, fuja, fuja, você não consegue.

E clareia-se horrorizado, procurando caminho, procurando outros quadros.
O único quadro é o do terror, definitivamente.

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