Os portões se abrem. O rio flui, a correnteza me leva. Seria aquilo ali, o sol?
Os rasgados joelhos e destruidos pés ainda aguentam o peso do corpo. Ainda houve forças para levantar, ainda procura um modo de fechar aquele portão, lá atrás, que libera os piores monstros, as piores criaturas que ainda insistem em atirar correntes para devolver o terror e as trevas. São criaturas - de certo - provenientes daquele lago de fogo. Se prendam em suas correntes, não relacione em sua negra e sangrenta lista. Deixe ir.
Florestas novas, belos jardins. Ouve-se o canto de pássaros que sobrevoam jardins à frente, e eles anunciam - ou tentam anunciar - a chegada de uma nova temporada. Ainda entre os gritos agonizantes do terror e o canto vivo dos pássaros, procura tomar água do novo trecho do rio. Espera-se que este rio não o faça como demais rios - demonstram o curso mais perfeito, mas escondem uma cachoeira, em que você cai e morre nas pedras lá embaixo.
Luzes batem em seus olhos, que brilham. As montanhas, tão bonitas, as casas, tão bem-feitas. Não tenha medo de entrar na cidade, não há nevoeiro, não há fogo queimando centímetros abaixo do chão. O chão não irá virar pó diante de seus pés. Não há usinas nucleares, não haverá defeito no reator que trará radiação para dentro de você a pura morte. Você não morrerá.
E quebre as correntes.
Je weet al donker poorten. Je weet al leeft steden.
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