A chuva para, o frio abraça; e então, boa noite.
De poços escuros sobem aqueles que são o pior. Aqueles que seguram o seu pé e te derrubam. Nunca resolveu tentar correr, não funcionará sua tentativa de escapar, eles te acharam nova mente. A lua se esconde atrás de nuvens, a escuridão domina a sua noite. As luzes fraquejam e vultos passam por suas costas. Suas mãos congelam, sua parede recebe tinta negra, a lâmpada se desprende do teto, os cacos ficam no chão, você está encurralado.
Ouve gritos do outro lado da parede, vê a maçaneta da porta se mexer. Nenhuma mão está nela, nem do lado de dentro, nem do lado de fora. Ela se mexe sozinha, e bate na parede com uma força desconhecida. A lua volta para iluminar, ela está vermelha, ela derrama vinho em sua noite. Aproveite os gritos de uma noite tão bonita, aproveite os pedaços espalhados pelo chão decorado com vidro.
Não arrisque abrir a sua janela. Está muito tarde, você não sabe o que espera do lado de fora. Você ouve batidas fortes naquela madeira nova que te separa da luz vermelha da lua. Enxerga um rosto vazio, sem forma, somente alguns passos de você. Escuta passos e sente algo vindo em sua direção, atrás de você, uma parede, de preto para vermelho, vermelho de sangue, aos lados, vidro, você não tem pra onde correr.
E então um som de trovão - a chuva começa a cair lá fora...
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