Não sei mais pra onde foi
aquela luz do sol que bate no rosto
enquanto subimos a rua
para ir à escola
que ilumina passo por passo
desde o pé do bebê ao pé 42 do trabalhador
cansado por mais um dia
do terror de ser mais um
num mundo indiferente
e sem métrica como esse poema
que nem graça tem
como o feno que o vento leva
e vai junto com a inocência dos bons ventos
E a gente se refugia com duas de dez
e já não serve pra mais nada
Pela janela, casas viram prédios
a luz se perde em meio a uma sala
sem sorrisos
que quando vem, são falsos de ponta a ponta
que aponta como flecha
em meio ao coração doente
Que desprende da alma
e morre
como a flor no deserto
e mata
como a prateada que vem das casas amontoadas
E jaz o futuro
cremado há mais de mil
e a mil a gente encontra a parede
- desagradável surpresa
a cara quebrada
E no mais
tentando sair depressa da parada
descobri
escrever já não serve mais pra nada
Sunday, November 09, 2014
Friday, September 26, 2014
The Symbol Out of the Room
Admito nem fazer ideia do que vai ser escrito, mas vou de método antigo para tentar satisfazer a inquietação da minha alma.
Aqui estamos outra vez, na velha página branca do recanto praticamente repleto de amarguras que é isso aqui, e me entristeço por não ser por um bom motivo. Caí dentro de mim mais uma vez e estou cercado de uma força obscura que me leva ao delírio profundo de não conhecer a mim mesmo, mais. Estou em uma constante perda de sanidade.
Olho em volta e não sei bem onde estou. O coração bate acelerado enquanto sou tomado por vertigem e raciocínio perdido. Me perco nas fortes luzes que agridem meus olhos, que sangram à primeira tentativa de desvincular-me do poço escuro em que me alma se meteu. E longe, perdida, tento apoiar-me no entulho que se amontoou em minha razão. Desconheço meu maior conhecido.
E falho em toda tentativa de socorrer-me da luta abrupta a qual fui posto a disputar. E perco feio. Caminho nas pedras que minha alma pesada deixou de ponta a ponta, com a dor nos pés do nomadismo ao qual me submeti. E arrependo-me de ter visto minha essência ir embora - corri e não a alcancei. Ficou o corpo.
Na falta de conexão com as profundas partes da minha mente, ouço uma voz que insiste em me tirar do caminho: você perdeu, você falhou, você atrai o fracasso - e, ao que resisto, mais desencontro de minha essência.
E minhas mãos trêmulas refletem o que insiste em rasgar o meu peito: tua angústia é teu abraço, e não se fará livre do braço que lhe puxa para longe de ti.
e em amargura serás acolhido
por muitas vezes até que te encontres
expulsando a luz de tua essência
dando aos monstros que te habitam
Caminhas para a insanidade.
Aqui estamos outra vez, na velha página branca do recanto praticamente repleto de amarguras que é isso aqui, e me entristeço por não ser por um bom motivo. Caí dentro de mim mais uma vez e estou cercado de uma força obscura que me leva ao delírio profundo de não conhecer a mim mesmo, mais. Estou em uma constante perda de sanidade.
Olho em volta e não sei bem onde estou. O coração bate acelerado enquanto sou tomado por vertigem e raciocínio perdido. Me perco nas fortes luzes que agridem meus olhos, que sangram à primeira tentativa de desvincular-me do poço escuro em que me alma se meteu. E longe, perdida, tento apoiar-me no entulho que se amontoou em minha razão. Desconheço meu maior conhecido.
E falho em toda tentativa de socorrer-me da luta abrupta a qual fui posto a disputar. E perco feio. Caminho nas pedras que minha alma pesada deixou de ponta a ponta, com a dor nos pés do nomadismo ao qual me submeti. E arrependo-me de ter visto minha essência ir embora - corri e não a alcancei. Ficou o corpo.
Na falta de conexão com as profundas partes da minha mente, ouço uma voz que insiste em me tirar do caminho: você perdeu, você falhou, você atrai o fracasso - e, ao que resisto, mais desencontro de minha essência.
E minhas mãos trêmulas refletem o que insiste em rasgar o meu peito: tua angústia é teu abraço, e não se fará livre do braço que lhe puxa para longe de ti.
e em amargura serás acolhido
por muitas vezes até que te encontres
expulsando a luz de tua essência
dando aos monstros que te habitam
Caminhas para a insanidade.
Saturday, March 29, 2014
Chronically Silent
Já faz tempo que me engulo, mas não posso suportar tamanha chuva de ódio que cai sobre mim.
Sensação de impotência, de agonizar no chão, com a cabeça no meio-fio. Passam carros, passam pessoas, ninguém me vê, nem ao mesmo quem eu espero que venha me socorrer. Estou sozinho com as minhas palavras, e não há nada que eu possa fazer, pois não tenho voz, nem mesmo tive um dia. E me pergunto: será que terei?
Difícil dizer, ao passo que esquenta o chão e queima minha pele. Não consigo levantar, pois não sinto minhas pernas. Não grito por socorro, não me movo por não poder. Agonizo com medo de não ser visto, com medo de não ser ninguém. E me dói, pois nunca faltei com socorro. Não falto com nada, e se falto, corro mais do que minhas pernas para corrigir. E o som do silêncio sufoca, sinto mãos no meu pescoço e monstros na minha garganta. Queima meu peito e dilacera meus olhos. Nem mesmo tenho capacidade de chorar. Minha única capacidade é a de tentar olhar para longe de mim.
Como deveria me sentir, se rastejo em torno de um mundo arruinado? O ódio é puro, não há mais ajuda, não há mais calmaria, e me escondo atrás de um muro intransponível que esconde toda região de fundo numa escuridão não-iluminável. Sonho com os olhos claros da calmaria, mas sou derrubado por um mar em fúria, que me arrasta da mesma forma que uma cidade inteira é levada.
Enquanto fico no chão, sem poder me libertar do horror que são tais palavras em mim, me entorpeço apagando de mim quem eu poderia ser, se não houvesse tanta falta de cuidado, tanta falta de emoção num mundo tão escuro. Devastaram em mim cada pedaço do que construí, e com os destroços, faço a proteção para tal nuvem de poeira, cada vez maior, cada vez mais assustadora.
E não me faltam palavras. Mas me falta a ponte segura para tirá-las de mim.
Sensação de impotência, de agonizar no chão, com a cabeça no meio-fio. Passam carros, passam pessoas, ninguém me vê, nem ao mesmo quem eu espero que venha me socorrer. Estou sozinho com as minhas palavras, e não há nada que eu possa fazer, pois não tenho voz, nem mesmo tive um dia. E me pergunto: será que terei?
Difícil dizer, ao passo que esquenta o chão e queima minha pele. Não consigo levantar, pois não sinto minhas pernas. Não grito por socorro, não me movo por não poder. Agonizo com medo de não ser visto, com medo de não ser ninguém. E me dói, pois nunca faltei com socorro. Não falto com nada, e se falto, corro mais do que minhas pernas para corrigir. E o som do silêncio sufoca, sinto mãos no meu pescoço e monstros na minha garganta. Queima meu peito e dilacera meus olhos. Nem mesmo tenho capacidade de chorar. Minha única capacidade é a de tentar olhar para longe de mim.
Como deveria me sentir, se rastejo em torno de um mundo arruinado? O ódio é puro, não há mais ajuda, não há mais calmaria, e me escondo atrás de um muro intransponível que esconde toda região de fundo numa escuridão não-iluminável. Sonho com os olhos claros da calmaria, mas sou derrubado por um mar em fúria, que me arrasta da mesma forma que uma cidade inteira é levada.
Enquanto fico no chão, sem poder me libertar do horror que são tais palavras em mim, me entorpeço apagando de mim quem eu poderia ser, se não houvesse tanta falta de cuidado, tanta falta de emoção num mundo tão escuro. Devastaram em mim cada pedaço do que construí, e com os destroços, faço a proteção para tal nuvem de poeira, cada vez maior, cada vez mais assustadora.
E não me faltam palavras. Mas me falta a ponte segura para tirá-las de mim.
Thursday, March 20, 2014
0320
Eventually, I've felt totally isolated from everything and everyone. The black dog had finally succeeded in hijacking my life. When you lose all your joy in life, you begin to question what the point of it is.
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