Everywhere, nowhere, elsewhere, anywhere. Shit. What the fuck is happening?
Parece que estou sozinho em todos os lugares. As coisas estão tão mudadas, as palavras não são mais as mesmas. A relação trem-trilho e pneu-rua-ônibus marcam o meu desgaste. Os cadernos, cheios de fórmulas, de traços, de garranchos por culpa de um dedo machucado, são coisas padrões e silenciosas. Um metro e meio, quatrocentos e setenta e sete quilometros. Um texto de cento e dois caracteres para uma pessoa. A resposta com cinquenta e três, duas horas e meia depois. Oi.; oi!; oi!; - fim.
São sete horas e vinte e três minutos. Adiou a sua salvação para o dia - o dia acabou. As palavras rabiscadas na folha passam a ser mortas, esperando pelo próximo dia, ou só a sua cama para dormir; sair dali tá ótimo. Pouco a pouco você vai perdendo o que tinha. São novos contatos, são novos ladrões, e você fica largado ali na cadeira mais distante. "Para sempre" - para sempre o quê? Distância e derrota, escuridão e silêncio? O silêncio é trocado por um som que adentra apenas o seu ouvido.
As mais de cento e quarenta batidas por minuto sincronizam com a velocidade dos pensamentos. Paranoia, estranhamento. A sensação de que existem demônios, escuridão e mal estão procurando um espaço aberto para atacar. A memória acorda. Sua mente começa a conversa. "Onde você está se sentindo bem, meu filho? O que é que você acha que perdeu?"; "Tá vendo a felicidade dela? Tá vendo a felicidade deles? Eu vejo a sua, também. E a dela? Sabe bem de todas as pessoas que eu falei por trás desses pronomes, não sabe?" - não deveria responder, mas sempre responde. Nada, nem ninguém, devem ficar sem resposta. Mas isso te confunde e te silencia cada vez mais, te prende na sua intolerância, no seu medo.
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, como disse Heráclito. Tudo em sua constante mudança, que em maioria, se passa despercebida. Muitas vezes, também, a mudança é irrelevante, que dá até pra chamar de igual. Mas reações abruptas existem, e por vezes, todas resolvem se manifestar. O "para sempre" sempre termina, o "nunca mais" nunca se cumpre. Seus labirintos possuem paredes altas, impossíveis de escalar. Labirintos são desagradáveis. Se sente em um? Ou então, se sente fora de qualquer proridade? É, é. Tão longe, não importa o quão perto? Peraí, está invertido. Está certo? Pode ser, nada é imutável, isso muda também.
Sonhos também são mutáveis, e são mais fáceis de lidar quando não existe sequer um deles. Ou existem, e estão sentados cada um em uma cadeira... cada cadeira posicionada tão distante quanto a que você senta, todos os dias, depois das sete horas da manhã, ou a cadeira em que se senta dentro de sua mente, inquieta, perturbada.
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