Eu tenho pensado muito, mais do que o normal, nos últimos tempos. São horas e horas refletindo, e por ter a infelicidade de não morar perto de porra nenhuma, tenho muito tempo sozinho pra pensar, sem falar das horas em que passo sozinho aqui, no meu quarto, e não só aqui, não há mais ninguém nos outros cômodos desta casa por longas horas.
Meu passado é lotado de acompanhar brigas, problemas e ficar sozinho. Talvez isso tenha me feito ser a pessoa quieta que sou hoje. São sentimentos, sensações, e incontáveis quilos de altruísmo que recheia o silêncio de textos e dores, para que não atinja qualquer outra pessoa.
Vou falar
um pouco aqui
sobre algumas coisas. E sem ironia aqui, mesmo que o texto fique grande, é pouco mesmo.
Capítulo 1 - 2005 à 2008Era uma bela de uma merda. Todos os dias, chuvas novas e tempestades fortes que rodeavam meus poucos 9 à 13 anos de vida. Em meio a amores e brigas foram anos complicados, porém, escolarmente engraçados. Era manhã (ou tarde, dependendo do ano) de diversão com amigos, e noite de paciência. Coisas banais e outras ridículas, outras duras, mas eram apenas continuações de um filme que em breve acabaria. Nas manhãs, era um amor que não controlava a vontade de passar aquelas míseras cinco horas tentando conquistar aquela pessoa. De nada valeu a pena, quando próximo do final houve uma das piores cenas da minha vida, - e não, eu não sinto qualquer dor quando lembro - que me tirou o chão, as portas, o ar, o ponto de ônibus, tudo. Suportei, como tudo de ruim que rondava a minha vida. Ao fim daquele último ano, tinha esperanças de no ano seguinte obter minhas conquistas, o que não aconteceu. Pouco antes disso, coisa de alguns meses, houve o final do filme, a motivação foi ridícula e poderia ter sido evitada, mas foi um pretexto em eufemismo para um certo "cessar-fogo".
Capítulo 2 - Frieza e Falta de PaciênciaNão houve nada, tirando poucos dias de Janeiro daquele ano, que conseguiu me dar um sorriso que prestasse. Tudo era chato, sem sal, e nada eu fazia por prazer, era tudo obrigação. Tinha que aguentar aquele sol de meio-dia durante muitos e muitos dias, tive que aguentar aqueles que nada me faziam além de trazer raiva e impaciência. Não gostava de nada daquilo, eu não tinha sentimentos, não tinha paciência, só queria novidades e novidades e um ano novo e, e, e es. Quase nada foi bom pra mim. Tive a paciência de passar um ano sendo empurrado para coisas que eu não queria fazer, tendo feito uma delas - não me arrependi, só foi chata a pressão - e torcendo para que novos ventos soprassem na minha direção. Bom, foi o que aconteceu no ano seguinte àquele, mas "novos ventos" não é igual a "bons tempos".
Capítulo 3 - "Agora tudo vai dar certo!"Comecei com esperanças. Tudo seria bom, nada atingiria o meu mundo. Eu namoraria, faria grandes amigos, seria feliz, faria tudo que eu sonhava fazer em anos anteriores.
Calma aí, Daniel. Sim, eu fiz grandes amigos, namorei, conheci pessoas maravilhosas, fiz o que eu queria. Mas as coisas não são perfeitas assim. Eu comecei a ser sobrecarregado, e muito mais do que eu já tinha sido antes. Eu não tinha vida. Na esperança, eu só conseguia me irritar, e querer fazer, e exigir coisas que eram de direito meu, mas nada consegui como eu queria. Toda vez que via algo dar certo, bem, "Agora tudo vai dar certo!".
Negativo, meu caro. As coisas pioravam, e nada dava certo, havia desgosto, insegurança, e afastamento. Um sumiço que matou três semanas, que foram afogadas por tristeza e medo.
Intervalo! "O que eu faço agora?", era o que me vinha a cabeça. Pensei e esquematizei tudo certo e
- "Agora tudo vai dar certo!" Tá tudo certo! - quando o intervalo passasse, tudo seria como eu planejei.
Não... de novo, não. Foi uma dor pior que a outra, uma mais profunda que a outra. Eu apertava os mais altos botões do elevador, mas ele seguia em sentido reverso. O meu mundo se cansou, e tudo escorreu pro ralo. Fui me garantir, vinha tudo dando certo, dessa vez. As coisas iam se acertando aos poucos e...
não, mais uma vez.Capítulo 4 - In The DarkEscuridão, fundo do poço, ceticismo, falta de confiança, falta de esperança, fracasso. Isso era um breve resumo de mim. Fiquei enterrado ali, mas
(sobre)vivo, com um pouquinho de apoio, que se tornou em gigantesco, mas que não foi levado pela minha esperança. Chorei, e chorei. Nesse "chorar", as coisas vieram a acontecer.
Capítulo 5 - Um presenteO retorno à vida dependeu de algo. Alguém. E então eu venho vivendo, e eu vou continuar assim. Esse "Capítulo 5", pra mim, tem que ser infinito, assim como a força que vem de dentro pedindo isso, e agindo para que isso seja concreto.
Capítulo 6 - Pensamentos"Alguém aí poderia me dizer o que é ser único ou especial?"Eu não me sinto único, geralmente. Especial, não sei. Eu vejo que eu me preocupo, sempre, além do normal. Meu jeito contido, frio, impede que isso seja mostrado. Eu luto todos os dias contra isso, mas não consigo, porque tenho medo de me importar sozinho, de ser o único calor, e eu não falo de amor, especialmente. Eu não acho que eu seja o suficiente para qualquer coisa. Não tenho talentos -
"Nossa, você fala sueco? *-*" - Não, porra. Eu não conheço a cidade inteira como a palma da minha mão, eu não sei tudo de metrô como todo mundo pensa, eu não vou bem na escola, eu não sou bom no futebol, eu não sou bom em nenhum jogo que todo mundo gosta, eu não sei tocar nenhum instrumento musical, eu não sou engraçado, eu não sou notável, eu não sou nada, e, acima de tudo, eu não sei amar. Não, isso não significa que eu nunca amei e que eu não sei o que é amor. Eu já amei várias vezes, e muito forte, pra alguém da minha idade. E amo, por sinal. O que eu não sei é amar pouco. Eu amo demais. Eu amo querendo a pessoa pro resto da minha vida, e quando eu falo em resto da vida, eu falo
literalmente. Aí as pessoas me falam:
"Mas você tem só 15 anos". É, pois é. E eu só sei amar como alguém que quer a mesma pessoa até o fim da vida.
Além disso, eu não me considero suficiente pra ser amado da mesma forma. E o que é sentir-se único? Até sei o que é se sentir único, mas é muito difícil eu me sentir assim. Ainda mais que eu não sei falar pelo sentimento dos outros. Sou uma pessoa muito difícil de se fazer acreditar, ou de se convencer. Culpa do mundo, sabe? São tantas mentiras, tanta falsidade, tantas promessas quebradas...
Muitas vezes me sinto um fracasso. Nunca me acho bom pra alguma coisa, e quando acho, parece que eu perco a habilidade, como castigo do auto-reconhecimento.
...
Duvido que alguém vá ler tudo isso, mas eu tava com saudade de escrever um texto longo.
Boa noite.