Não sei mais pra onde foi
aquela luz do sol que bate no rosto
enquanto subimos a rua
para ir à escola
que ilumina passo por passo
desde o pé do bebê ao pé 42 do trabalhador
cansado por mais um dia
do terror de ser mais um
num mundo indiferente
e sem métrica como esse poema
que nem graça tem
como o feno que o vento leva
e vai junto com a inocência dos bons ventos
E a gente se refugia com duas de dez
e já não serve pra mais nada
Pela janela, casas viram prédios
a luz se perde em meio a uma sala
sem sorrisos
que quando vem, são falsos de ponta a ponta
que aponta como flecha
em meio ao coração doente
Que desprende da alma
e morre
como a flor no deserto
e mata
como a prateada que vem das casas amontoadas
E jaz o futuro
cremado há mais de mil
e a mil a gente encontra a parede
- desagradável surpresa
a cara quebrada
E no mais
tentando sair depressa da parada
descobri
escrever já não serve mais pra nada