Importa? Não importa? Tanto faz. Me perdi tentando me encontrar. Não achei nada, a não ser um grande declínio em tudo aquilo que eu era. Me foquei demais na mesma coisa e todo o resto ficou desfocado. Agora tenho que enxergar tudo de novo em pouco tempo. O tempo corre e não vai esperar por mim.
O planeta gira assim como aquela sala, toda enigmática, como as coisas que estavam na minha cabeça. No meu coração, toda a poeira e todos os pedaços daquele castelo que construí com o maior carinho. Todo o silêncio e toda a névoa que ali preponderava aterrorizava qualquer coisa que tentasse ali entrar. O fogo se foi, assim como todas as flores de todos os jardins, e quão belos eram todos aqueles jardins. Aquele aroma das mais belas flores eram propriedade privada. Bem dito, eram. Hoje elas nem existem mais. Nada existe.
O cheiro de queimado e toda a sujeira espalhada pelo chão traz o cenário menos interessante para qualquer coisa. É tão atípico deixar um lugar que fora tão bonito outrora de uma forma tão deplorável. Mas se nada ganhou com um lugar bonito, então não faz diferença o jeito em que está. A faca que perfura a pele e perfura a mente não muda nada em relação a frieza de todo o local. Qual a vantagem de cuidar de um lugar que nunca se mantém vivo? Um lugar que ninguém quer cuidar? Nenhuma.
O seu mundo não faz sentindo nenhum, os seus planos fracassaram, tudo terminou do jeito mais difícil. O único jeito de sair do buraco que já se fechou é forçar a terra pra cima, com a ajuda de algo que a molhe. A chuva, quem sabe. A chuva para lavar o chão de todas as cinzas e toda a sujeira do chão. A chuva para lavar a alma. A chuva para amolecer a terra que prende. E, quem sabe, alguém para cuidar dos novos jardins que virão.
And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures have all been washed in black, tattooed everything
All the love gone bad turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all that I'll be.